Política
Publicado em 18/01/2026, às 19h25 Foto: Maria Isabel Oliveira / Agência O Globo Mayane Lins
O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) suspendeu os contratos de empréstimos consignados firmados com o Banco Master após identificar irregularidades na documentação das operações. O bloqueio envolve cerca de R$ 2 bilhões e atinge mais de 250 mil contratos que passaram a ser analisados pelo órgão previdenciário.
De acordo com o INSS, os empréstimos não apresentaram a documentação necessária para comprovar a autorização dos beneficiários. A situação foi classificada pelo instituto como um “descontrole sistêmico na gestão documental”, com falhas que teriam ocorrido entre outubro de 2021 e setembro de 2025.
Levantamento técnico aponta que, no período de outubro de 2021 a abril de 2023, foram identificados 96.599 contratos sem comprovação. Já entre junho de 2023 e setembro de 2025, outras 155.119 operações apresentaram o mesmo problema. Ao todo, 251.718 contratos ficaram sem documentação válida ao longo de quatro anos.
No despacho que determinou a suspensão, o INSS destaca que a ausência de comprovação em um volume expressivo de contratos levanta dúvidas sobre a existência jurídica das operações e sobre o consentimento dos beneficiários. O documento também ressalta que, na maioria dos casos analisados, não há registros confiáveis de assinatura ou validação biométrica que confirmem a autorização dos segurados.
O Banco Master mantinha um Acordo de Cooperação Técnica (ACT) com o INSS, que permitia a oferta de empréstimos consignados a aposentados e pensionistas. O acordo tinha validade até setembro deste ano, mas não foi renovado após a constatação das inconsistências nos contratos apresentados.
O INSS informou que as operações seguem sob análise e que novas medidas poderão ser adotadas a partir da conclusão da apuração.