Política
Publicado em 18/04/2026, às 09h25 Crédito: Nelson Jr./SCO/STF Ranyere Fonseca
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, subiu o tom nesta sexta-feira (17) ao analisar o atual momento do Judiciário brasileiro. Durante um evento em São Paulo, Fachin foi enfático ao afirmar que a Corte atravessa uma crise profunda que não pode mais ser ignorada ou tratada com "soluções velhas".
A declaração ocorre em um dos momentos de maior desgaste para o STF. Nesta semana, o senador Alessandro Vieira (MDB-SE) tentou incluir o indiciamento dos ministros Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes e Dias Toffoli no relatório final da CPI do Crime Organizado. A movimentação parlamentar ampliou o isolamento de parte da Corte, já fragilizada por desdobramentos da Operação Compliance Zero.
Fachin destacou que a legitimidade do Judiciário depende da percepção de imparcialidade, algo que, segundo ele, corre risco quando magistrados extrapolam suas funções.
"Sempre que um juiz parecer estar atuando como agente político disfarçado de intérprete jurídico, perde-se a confiança pública", ressaltou o ministro, em uma fala que foi lida nos bastidores de Brasília como um recado interno aos colegas.
A crise interna se agravou com as investigações da Polícia Federal envolvendo o Banco Master. Recentemente, o ministro Dias Toffoli teve que deixar a relatoria de um inquérito sobre fraudes após ser revelada sua sociedade em um resort comprado por um fundo que pertenceu ao banco.
Já o ministro Alexandre de Moraes precisou vir a público negar diálogos com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, preso na primeira fase da Operação Compliance Zero. Para Fachin, o Judiciário precisa enfrentar esses "novos problemas" com transparência, sob pena de ver a desconfiança popular se tornar irreversível durante o ano eleitoral.
Confira em vídeo a declaração do presidente do STF: