Política
Publicado em 11/03/2026, às 13h25 Fotos: Bruno Spada / Câmara dos Deputados Giovana Gurgel
A indicação da deputada federal Erika Hilton (PSOL) para presidir a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados provocou reação no Senado. A senadora Damares Alves (Republicanos) criticou publicamente a escolha e afirmou que os espaços institucionais destinados às pautas femininas devem ser ocupados por mulheres.
A manifestação ocorreu durante discurso no plenário do Senado Federal na terça-feira (10). A parlamentar disse temer que conquistas históricas das mulheres sejam ameaçadas. Segundo ela, existe preocupação com a preservação de espaços que foram construídos ao longo de décadas de mobilização por direitos.
Durante a fala, Damares Alves declarou que não aceitará perder o direito de se identificar como mulher nos debates públicos. A senadora afirmou que não permitirá que movimentos políticos questionem essa identificação.
Em seu discurso, ela afirmou que "nasceu mulher" e que continuará defendendo esse posicionamento em discussões institucionais. A parlamentar acrescentou que os espaços conquistados por mulheres precisam continuar sendo ocupados por elas.
Ao mesmo tempo, a senadora disse reconhecer que pessoas trans também necessitam de proteção e de espaços de defesa de direitos na sociedade.
A escolha de Erika Hilton para presidir o colegiado foi feita pelo Partido Socialismo e Liberdade, que indicou a deputada para o comando da comissão no final de fevereiro.
A posse da parlamentar está prevista para ocorrer nesta quarta-feira (11). Caso confirmada, Hilton passará a conduzir os trabalhos do colegiado responsável por discutir propostas relacionadas à proteção e à promoção dos direitos das mulheres.
Entre as atribuições da comissão estão o acompanhamento de políticas públicas e a análise de projetos voltados à igualdade de gênero.
À frente do colegiado, Erika Hilton afirmou que pretende priorizar iniciativas voltadas à ampliação de direitos e ao enfrentamento de retrocessos na legislação.
Entre os temas que devem ganhar destaque estão políticas de saúde, condições de trabalho e medidas de combate ao feminicídio e à violência de gênero. A deputada também declarou que pretende ampliar o debate sobre políticas voltadas a mulheres indígenas, negras, com deficiência e integrantes da população LGBT+.
Na Câmara dos Deputados, a definição das presidências das comissões permanentes segue o princípio de proporcionalidade partidária. O critério considera o tamanho das bancadas eleitas nas últimas eleições legislativas.
Esse sistema determina a ordem de escolha e quantos colegiados cada partido pode comandar durante o ano legislativo. Com base nesse cálculo, o PSOL indicou Erika Hilton para assumir a Comissão.
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