Política
Publicado em 27/09/2026, às 16h46 Imagem: Reprodução Mayane Bezerra
O ex-assessor parlamentar Laércio Cardoso de Lima acusa o gabinete da vereadora de Natal e candidata a deputada federal Thabatta Pimenta (PV) de exigir a devolução de parte de sua remuneração enquanto ele ocupava um cargo comissionado na Câmara Municipal. Em entrevista à advogada Brenda Martins nas redes sociais, Laércio também afirmou que desempenhava atividades particulares na residência da parlamentar.
Segundo o ex-assessor, ele recebia inicialmente cerca de R$ 2,4 mil e teria recebido uma proposta para passar a morar na residência de Thabatta e ter a remuneração elevada para aproximadamente R$ 3,8 mil. Como condição, afirma que deveria devolver R$ 800 à pessoa que identifica como chefe de gabinete. De acordo com o relato, a entrega deveria ser feita em dinheiro.
A acusação envolve uma possível prática conhecida como “rachadinha”, caracterizada pela devolução de parte da remuneração de servidores. Até o momento, porém, não foram apresentados comprovantes dos supostos repasses, mensagens de cobrança ou outros elementos independentes que confirmem a versão apresentada pelo ex-assessor.
Documentos oficiais consultados confirmam que Laércio integrou o gabinete de Thabatta. Ele foi nomeado assessor parlamentar em janeiro de 2025 e passou por mudanças de cargo ao longo do período. Registros do Diário Oficial mostram, por exemplo, que em março de 2025 ele passou de Assessor Parlamentar 5 para Assessor Parlamentar 2 e, posteriormente, ocupou outras funções na estrutura do gabinete.
A exoneração foi formalizada pela Portaria nº 0184/2026-MD, de 22 de abril. O ato determinou a saída de Laércio do cargo de Assessor Parlamentar 6 do gabinete da vereadora, sem informar o motivo da exoneração.
Laércio também afirma que, apesar de ser remunerado pela Câmara Municipal, passou a desempenhar atividades na residência da vereadora, incluindo preparação de refeições e cuidados cotidianos com Ryan, irmão de Thabatta.
Os documentos funcionais confirmam o vínculo de Laércio com o gabinete, mas não permitem determinar quais atividades ele efetivamente exercia durante a jornada de trabalho. Também não foram apresentados registros de horários ou ordens de serviço que comprovem o relato sobre a atuação na residência.
Outra acusação apresentada pelo ex-assessor é de que integrantes da equipe teriam sido orientados a utilizar parte da própria remuneração para comprar móveis e estruturar o gabinete. Segundo Laércio, servidores também participavam de atividades relacionadas aos cuidados pessoais da parlamentar.
Até o momento, não foram apresentados comprovantes das supostas contribuições para a compra dos móveis nem documentos que indiquem quais servidores teriam participado dos pagamentos.
Na entrevista, Laércio ainda acusa a parlamentar de utilizar carro e combustível da Câmara em deslocamentos relacionados à campanha eleitoral pelo Rio Grande do Norte.
Esse ponto também não foi acompanhado, até o momento, de registros de abastecimento, identificação do veículo ou documentação que permita verificar a finalidade dos deslocamentos. A realização de atividades externas por assessores parlamentares, isoladamente, não comprova eventual utilização eleitoral de recursos públicos.
Em manifestação pública, sem citar nominalmente Laércio, Thabatta afirmou que tentam atribuir a ela “coisas absurdas”, relacionou as acusações ao período eleitoral e declarou que questões dessa natureza serão tratadas pela Justiça. A vereadora não apresentou, na manifestação mencionada, respostas específicas sobre a alegada devolução de salários, a compra de móveis ou as atividades que o ex-assessor afirma ter realizado em sua residência.
As principais acusações apresentadas por Laércio, portanto, permanecem como alegações do ex-assessor e ainda dependem de comprovação e eventual apuração pelos órgãos competentes.
A assessoria de Thabatta Pimenta foi procurada para comentar as acusações feitas pelo ex-assessor Laércio Cardoso de Lima, mas informou que a candidata não emitirá nota sobre o caso. Neste domingo (27), porém, Thabatta publicou um vídeo nas redes sociais no qual falou sobre ataques que afirma estar sofrendo durante a reta final da campanha.
Sem citar Laércio nominalmente ou responder de forma específica às acusações apresentadas por ele, Thabatta afirmou que tem deixado determinadas questões sob responsabilidade da Justiça. A candidata disse que passaram a tentar atribuir a ela “coisas absurdas” e relacionou o aumento dos ataques ao desempenho que afirma ter alcançado em uma pesquisa eleitoral para deputada federal.
Grande parte da manifestação foi dedicada às referências feitas pelo ex-assessor à rotina na residência da parlamentar e aos cuidados com Rian, irmão de Thabatta. A candidata classificou como cruéis os ataques relacionados à sua maternidade atípica e pediu que o irmão não fosse envolvido nas disputas políticas.
“Tentando me imputar coisas absurdas, eu deixo a Justiça tomar de conta. Mas, como toda mãe atípica, quando mexe com os nossos filhos, a gente vira bicho”, afirmou.
Thabatta também declarou que pessoas se aproximaram durante a eleição municipal de 2024 oferecendo apoio nos cuidados com Ryan, mas não identificou quem seriam essas pessoas nem relacionou diretamente a declaração ao ex-assessor.
No vídeo, a candidata não respondeu especificamente se houve cobrança ou devolução de parte do salário de Laércio, se servidores contribuíram financeiramente para a compra de móveis do gabinete, quais atividades ele exercia enquanto era remunerado pela Câmara Municipal ou se houve utilização de estrutura pública em compromissos eleitorais.
As acusações apresentadas pelo ex-assessor permanecem sem comprovação independente até o momento. A documentação disponível confirma o vínculo funcional de Laércio com o gabinete, mas, isoladamente, não comprova as supostas devoluções de salário nem as demais irregularidades relatadas por ele.
Veja o vídeo: