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Política

Estatais federais, como Correios, acumulam saldo negativo de R$ 8,9 bilhões; veja o que diz o levantamento dos últimos meses feito pelo Banco Central

O caso dos Correios ilustra a crise financeira das estatais, com saldo negativo de R$ 4 bilhões somente no primeiro semestre de 2025  |  Foto: Ricardo Stuckert

Publicado em 16/10/2025, às 08h27   Foto: Ricardo Stuckert   Dani Oliveira

Déficit é um saldo negativo que ocorre quando as despesas superam as receitas; e é exatamente esse o cenário das empresas federais estatais no Brasil; encerraram os 12 meses até agosto de 2025 com um déficit acumulado de R$ 8,9 bilhões, de acordo com dados divulgados pelo Banco Central (BC).

No contexto financeiro, como o que estamos vendo com o Correios, por exemplo, isso significa gastar mais do que se ganha. E o montante, analisado pelo BC representa mais que o dobro do prejuízo registrado no mesmo período do ano anterior, evidenciando o agravamento das contas das companhias controladas pelo governo.

O aumento das despesas operacionais e administrativas tem pressionado o caixa das estatais e exigido maior aporte de recursos públicos. Segundo o BC, as subvenções federais e transferências diretas do Tesouro Nacional somaram R$ 27 bilhões em 2025, cerca de R$ 3 bilhões a mais do que no exercício anterior.

Governo Lula se torna exposto diante do cenário desconfortável das empresas estatais no país. Imagem gerada por IA.

Empresas dependentes do Tesouro
Entre as companhias que mais demandaram recursos da União estão a Ebserh (Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares), responsável pela gestão dos hospitais universitários federais, que recebeu R$ 11,5 bilhões, e a Embrapa, voltada ao desenvolvimento tecnológico do agronegócio, também listada entre as principais beneficiárias.

Essas empresas integram o grupo de estatais dependentes do Tesouro Nacional — ou seja, aquelas que não conseguem cobrir suas próprias despesas com receitas próprias e precisam de transferências diretas para manter o funcionamento.

Correios simbolizam o cenário de prejuízos
Um dos casos mais emblemáticos é o dos Correios, que seguem em trajetória de queda mesmo com aumento na arrecadação.

No primeiro semestre de 2025, a empresa registrou receita de R$ 8 bilhões, mas acumulou prejuízo líquido de R$ 4 bilhões — um salto de mais de 220% em relação ao mesmo período de 2024.

Um dos casos mais emblemáticos é o dos Correios com prejuízo líquido de R$4 bilhões. Imagem: divulgação Correios.

O resultado negativo foi atribuído à alta nos custos operacionais, à inflação de insumos logísticos e ao aumento das despesas administrativas, além da perda de competitividade diante de novas plataformas de entrega privada.

Desafio fiscal e impacto na política econômica
O cenário reforça um dos principais desafios do governo federal: equilibrar o funcionamento das estatais sem comprometer o resultado fiscal da União.

O aumento dos repasses eleva o risco de pressão sobre o Orçamento Geral da União, já sob vigilância do Ministério da Fazenda e de órgãos de controle.

Economistas alertam que o crescimento contínuo dos déficits das estatais pode dificultar o cumprimento da meta de resultado primário e reduzir a capacidade de investimento em áreas estratégicas. A tendência, segundo especialistas, é de revisão de estruturas e planos de reequilíbrio financeiro ainda neste segundo semestre.

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