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Política

Engorda de Ponta Negra vira alvo de disputa entre candidatos e terceiro bloco é marcado por ataques

Debate acontece na sede do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio Grande do Norte (CREA-RN), em Natal, e é promovido pelo Grupo Dial Natal  |  Jussier Lucas

Publicado em 02/09/2026, às 22h33   Jussier Lucas   BNews RN

A polêmica envolvendo a engorda da praia de Ponta Negra voltou ao centro da disputa eleitoral pelo Governo do Rio Grande do Norte durante o terceiro bloco do debate promovido pelo Grupo Dial Natal, nesta quarta-feira (2), em Natal. O tema colocou frente a frente Cadu de Lula (PT) e Álvaro Dias (PL), que apresentaram versões opostas sobre os efeitos da obra para um dos principais cartões-postais da capital potiguar.

Cadu afirmou que Álvaro, quando prefeito de Natal, “destruiu o principal cartão postal de Natal” ao realizar a engorda da praia de Ponta Negra. O candidato petista também criticou a execução da obra e afirmou que ela teria sido realizada às pressas.

Morador de Ponta Negra durante parte da vida, segundo seu próprio relato, Cadu afirmou:

“Eu vivi em Ponta Negra. Hoje, quando chove, a praia fica acabada”.

Álvaro rebateu a crítica e defendeu a intervenção. Segundo ele, a obra teve justamente o objetivo contrário: proteger a faixa de areia e o Morro do Careca do avanço do mar.

“Vamos comigo lá, perguntar aos ambulantes o que eles acham”, provocou Álvaro, defendendo os efeitos da engorda para quem trabalha na praia.

Na sequência, o ex-prefeito de Natal voltou a atacar o PT. “O seu partido, o PT, só sabe atrapalhar e não sabe construir”, afirmou.

Saúde volta a provocar confronto

O terceiro bloco começou com temas livres. Álvaro Dias foi o primeiro a perguntar e questionou Cadu sobre meio ambiente. Na resposta, porém, Cadu retomou o discurso de “mãos limpas”, que já havia marcado os blocos anteriores, destacando a defesa da honestidade na política.

Álvaro também aproveitou o espaço para questionar temas relacionados aos consignados, à saúde no interior e ao que classificou como “desgoverno” no Rio Grande do Norte.

Cadu defendeu a administração da governadora Fátima Bezerra (PT), destacando como motivo de orgulho o pagamento dos salários dos servidores dentro do prazo. Também afirmou que não deixará o meio ambiente de lado.

Álvaro considerou a resposta insatisfatória e voltou a direcionar críticas à saúde pública, citando superlotação, falta de vagas e problemas de estrutura nos hospitais.

“O governo de Fátima pecou demais na saúde”, afirmou.

Cadu respondeu que pretende investir na área caso seja eleito.

Pé-de-Meia e educação entram no debate

Na sequência, Cadu perguntou ao Professor Robério Paulino (PSOL) sobre o Programa Pé-de-Meia, iniciativa do Governo Federal voltada à permanência de estudantes do ensino médio.

Robério considerou o programa importante, mas fez uma ressalva política ao afirmar que o PSOL só vota em Lula com o objetivo de derrotar um governo de direita.

Cadu aproveitou a resposta para elogiar o programa federal e afirmou que pretende conectá-lo às necessidades do Rio Grande do Norte.

Robério, por sua vez, voltou a direcionar críticas ao desempenho da educação estadual. O candidato do PSOL afirmou que o PT não conseguiu melhorar a qualidade do ensino no Estado e prometeu combater o analfabetismo.

Equilíbrio fiscal, greves na educação e judicialização das lutas sindicais também apareceram nas discussões.

Álvaro e Allyson protagonizam novo embate

O confronto mais intenso do bloco, porém, ocorreu quando Allyson Bezerra (União Brasil) questionou Álvaro Dias sobre propostas para reduzir a fila de cirurgias no Rio Grande do Norte.

Álvaro respondeu criticando a atual administração e devolveu a pergunta ao adversário: “Qual o pior dos dois governos: o seu ou o governo do PT?”

A partir daí, o debate entre os dois voltou a subir de tom.

Allyson acusou Álvaro de mentir e afirmou que o ex-prefeito não teria conseguido colocar o Hospital Municipal de Natal em funcionamento, apesar de ter realizado a inauguração.

As interrupções foram constantes.

“Ele é nervosinho”, provocou Álvaro.

Em seguida, o ex-prefeito afirmou que Allyson vive uma “vida de fantasia” e que passa a imagem nas redes sociais de alguém que “vive dando pulinhos”.

Allyson respondeu:

“O senhor é o que tem a maior capacidade de mentir”.

O candidato do União Brasil também citou a compra de respiradores realizada durante a gestão de Álvaro na Prefeitura de Natal, utilizando o episódio como argumento para questionar a atuação do adversário.

Robério volta a atacar Allyson

Outro momento de forte confronto ocorreu quando Robério questionou Cadu sobre educação e criticou a qualidade da educação integral no Estado, além de abordar a política de isenções fiscais.

Cadu aproveitou a resposta para fazer uma referência a investigações envolvendo políticos e afirmou: “Alguns candidatos aqui estão sendo investigados por corrupção, como o prefeito de Mossoró. Cadu no governo não vai ter corrupção no RN”.

No encerramento do bloco, Allyson perguntou a Robério sobre educação. O professor respondeu imediatamente com uma crítica ao candidato.

“O senhor não sabe o que é educação”, afirmou Robério.

O debate entre os dois passou então a girar em torno da qualidade do ensino no Estado. Embora ambos tenham concordado que a educação potiguar precisa melhorar, Robério voltou a atacar Allyson.

“O senhor é um farsante, um santo do pau oco”, disse o candidato do PSOL.

Allyson questionou o tom:

“Por que o senhor é tão agressivo?”

O candidato do União Brasil afirmou que estava no debate para apresentar propostas, mas que os adversários estariam priorizando ataques pessoais. Também questionou a apresentação de propostas concretas por Robério para a educação e defendeu resultados obtidos durante sua gestão em Mossoró.

Allyson ainda apresentou uma proposta de incentivo financeiro às famílias, vinculada ao desempenho escolar das crianças.

O terceiro bloco terminou, assim, repetindo uma característica que já vinha aparecendo no debate: temas como saúde, educação, meio ambiente e equilíbrio fiscal foram colocados na mesa, mas os confrontos pessoais rapidamente roubaram o protagonismo das propostas.

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