Política
Publicado em 01/02/2026, às 12h07 Imagem: Reprodução Mayane Lins
Os empresários Mohamad Hussein Mourad, conhecido como “Primo”, e Roberto Augusto Leme da Silva, apelidado de “Beto Louco”, iniciaram tratativas com o Ministério Público de São Paulo para um possível acordo de delação premiada. Ambos são apontados como os principais alvos da Operação Carbono Oculto, que mirou o chamado “andar de cima” do PCC e sua suposta infiltração no setor de combustíveis e no mercado financeiro da capital paulista.
As negociações estão sendo conduzidas por promotores que atuam no combate ao crime organizado. Apesar das conversas, os dois empresários negam qualquer vínculo com o Primeiro Comando da Capital (PCC) e sustentam que não fazem parte da facção.
De acordo com informações obtidas por fontes ligadas à investigação, Mohamad e Roberto, que seguem foragidos, afirmam possuir material sensível envolvendo agentes públicos e políticos. As informações, segundo essas fontes, apontariam para um esquema de pagamento de propinas que ultrapassaria a marca de R$ 500 milhões, com repasses feitos em troca de facilidades e “alívio” regulatório no setor de combustíveis, explorado por meio de uma ampla rede de postos.
Entre as supostas provas apresentadas estariam mensagens trocadas por aplicativos, indicando encontros diretos ou intermediados por terceiros para a entrega de valores ilícitos. O material, caso validado, poderia ampliar significativamente o alcance das investigações.
Em nota oficial, o procurador-geral de Justiça de São Paulo, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa, afirmou que o foco do Ministério Público é alcançar todos os envolvidos na cadeia criminosa, independentemente da posição ocupada. Segundo ele, empresários, agentes públicos e eventuais políticos citados terão que prestar esclarecimentos, caso surjam indícios consistentes.
A eventual celebração de um acordo de colaboração não depende diretamente da Procuradoria-Geral, ficando a cargo dos promotores responsáveis pela Operação Carbono Oculto, que avaliam o conteúdo e a relevância das informações oferecidas.
Deflagrada em agosto do ano passado, a Carbono Oculto é considerada uma das maiores ofensivas já realizadas contra a infiltração do crime organizado na economia formal. Além do setor de combustíveis, a operação alcançou fintechs e fundos de investimento sediados na região da Avenida Faria Lima, em São Paulo, tradicional polo financeiro do país.
Informações do Estadão