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Política

#Elenão: entenda polêmica do movimento online que tenta barrar Erika Hilton na Comissão da Mulher

Um abaixo-assinado com mais de 55 mil assinaturas pede que a presidência da comissão seja ocupada por mulher cisgênero  |  Mário Agra/Câmara dos Deputados

Publicado em 12/03/2026, às 10h38   Mário Agra/Câmara dos Deputados   BNews Natal Redação

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Após a eleição de Erika Hilton (Psol-SP) para presidir a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados, a Deputada Federal se tornou alvo de uma capanha chamada #elenão.

Em referência a mobilização de mulheres contra a candidatura de Jair Bolsonaro na eleição de 2018, a ação colocou um abaixo-assinado na plataforma chance.org intitulado "Pela Representatividade Feminina na Presidência da Comissão da Mulher". Até a manhã desta quinta-feira (12), o documento contava com mais de 55 mil assinaturas.

A polêmica da eleição

A parlamentar, mulher transexual, foi eleita presidente na quarta-feira (11), contra os esforços de deputadas da oposição ao governo Lula.

“Derrota para as mulheres na semana da mulher”, reclamou a deputada Júlia Zanatta (PL-SC).

A senadora Damares Alves (Republicanos) criticou publicamente a escolha e afirmou que os espaços institucionais destinados às pautas femininas devem ser ocupados por mulheres. Em seu discurso, ela afirmou que "nasceu mulher" e que continuará defendendo esse posicionamento em discussões institucionais.

Hilton rebateu dizendo que deu "mais um passo na reparação" de sua "própria história" e "também na reparação da história de tantas mulheres que tiveram suas dignidades negadas".

E não estou nem um pouco preocupada se o esgoto da sociedade não gostou. A opinião de transfóbicos e imbeCIS é a última coisa que me importa", disse a deputada em seu perfil no X.

Abaixo-assinado

Os apoiadores da petição online, que já mobiliza dezenas de milhares de pessoas, defendem que a presidência da Comissão deve ser ocupada por uma parlamentar cujas bandeiras e histórico de atuação estejam estritamente alinhados com a defesa das prerrogativas das mulheres baseadas na distinção de sexo.

O texto do documento alega que já existem, no âmbito institucional e parlamentar, comissões e frentes destinadas especificamente ao debate da população LGBTQIA+. Por isso, sustentam que a CMULHER deve permanecer focada nas demandas próprias das mulheres enquanto "categoria biológica e social cientificamente reconhecida".

Manifestamos nossa discordância em relação à escolha da Deputada Erika Hilton. A presidência deve ser ocupada por uma parlamentar cujas bandeiras estejam alinhadas com as prerrogativas baseadas na distinção de sexo", afirma o texto.

Os assinantes solicitam agora que os líderes partidários e o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), intercedam contra o que chamam de "escolha absurda que fere os direitos das mulheres".

"Podem latir"

Apesar da pressão externa, Erika Hilton foi eleita com 11 votos a favor (fruto de um acordo de lideranças que manteve o colegiado com o PSOL) e 10 votos em branco. Ela sucede Célia Xakriabá (PSOL-MG) e já deixou claro que não pretende recuar diante das críticas, tratando o cargo como uma vitória pessoal e coletiva.

Em nova publicação em suas redes sociais, Hilton elevou o tom contra os ataques:

Podem espernear. Podem latir. Eu sou a presidenta da Comissão da Mulher. E foi a minha luta, a minha história e a minha garra que me trouxeram até aqui. E agora faremos um debate sobre todas as mulheres, porque somente unidas podemos frear a violência que nos assola", finalizou.

Hoje dei mais um passo na reparação da minha própria história e também na reparação da história de tantas mulheres que tiveram suas dignidades negadas.

Porque não é apenas a questão trans que determina como uma mulher será tratada ou destratada
A raça, a classe, o CEP e tantas… pic.twitter.com/DK05PBqKXy

— ERIKA HILTON (@ErikakHilton) March 12, 2026

Classificação Indicativa: Livre


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