Política
Publicado em 30/12/2025, às 07h46 Reprodução internet Dani Oliveira
A oposição no Congresso prepara uma nova escalada de tensão institucional para 2026. O deputado Cabo Gilberto Silva, recém-nomeado líder da oposição na Câmara, anunciou que o grupo pretende protocolar, em fevereiro, um novo pedido de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo o parlamentar, a estratégia é aproveitar o retorno dos trabalhos legislativos para apresentar uma denúncia com o maior volume de apoio já registrado na história da República. A meta declarada é ultrapassar a marca de 150 deputados federais e 40 senadores.
Corrida por assinaturas e discurso de “robustez política”
Atualmente, o pedido já conta com 114 assinaturas, mas a oposição trabalha para superar a barreira de 200 apoios. Embora não exista exigência mínima para o protocolo de um pedido de impeachment, o objetivo é conferir peso político à iniciativa e pressionar a cúpula do Congresso.
Para acelerar o processo, Cabo Gilberto chegou a defender a suspensão temporária do recesso parlamentar e convocou aliados a irem a Brasília nas próximas semanas.
O foco da denúncia: Banco Master
O novo pedido se baseia em reportagens que apontam suposta atuação de Alexandre de Moraes em favor do Banco Master. O material cita contatos entre o ministro e Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central. Moraes nega ter tratado do tema nas reuniões.
No documento, os parlamentares mencionam ainda um contrato milionário entre o Banco Master e o escritório de advocacia da esposa do ministro, Viviane Barci de Moraes. Para os signatários, os fatos indicariam possível conflito de interesses e conduta incompatível com o decoro exigido do cargo.
CPMI entra no radar como plano paralelo
Além do impeachment, a oposição também avança na articulação de uma CPMI para investigar o Banco Master. Para que o requerimento seja apresentado, são necessárias 171 assinaturas de deputados e 27 de senadores.
De acordo com Cabo Gilberto, o apoio entre deputados já foi alcançado, restando apenas a adesão de um parlamentar e de sete senadores. A CPMI é vista como uma via complementar de pressão política sobre o Supremo.
Pressão sobre o comando do Congresso
Durante a coletiva, oposicionistas cobraram uma postura mais ativa dos presidentes da Câmara, Hugo Motta, e do Senado, Davi Alcolumbre, para dar andamento aos pedidos relacionados ao STF — tanto de impeachment quanto de comissões de investigação.
Um histórico de pedidos e mudanças nas regras
Alexandre de Moraes acumula mais de 40 pedidos de impeachment no Senado. Pela Constituição, cabe ao Senado Federal processar e julgar ministros do STF por crimes de responsabilidade, mas o avanço das denúncias depende de decisão do presidente da Casa.
No início de dezembro, o ministro Gilmar Mendes suspendeu, por liminar, a possibilidade de qualquer cidadão apresentar pedidos de impeachment, restringindo a iniciativa à Procuradoria-Geral da República.
Após reação do Congresso, a decisão foi parcialmente revista, restabelecendo o direito de petição.
Gilmar manteve, no entanto, mudanças importantes: o quórum mínimo para aprovação do impeachment subiu para dois terços do Senado (54 votos), e ficou vedado o uso do mérito de decisões judiciais como fundamento para afastamento de ministros.
Debate deve continuar em 2026
Para o próximo ano legislativo, senadores também planejam retomar a discussão sobre a atualização da Lei do Impeachment.
O projeto chegou a ser pautado na Comissão de Constituição e Justiça, mas foi adiado diante da avaliação de que o tema exige maior aprofundamento.
Enquanto isso, a ofensiva da oposição promete manter o embate entre Congresso e STF no centro do debate político nacional.