Política

Deputada Isolda Dantas denuncia ameaças de morte e violência sexual durante campanha no RN

Candidatas enfrentam um aumento de perseguições e ameaças, refletindo um preocupante cenário de violência política de gênero  |  Ascom/ALRN

Publicado em 15/09/2026, às 08h19   Ascom/ALRN   Lavínia Manso

A deputada estadual e candidata à reeleição Isolda Dantas (PT) denunciou nesta segunda-feira (14) ter recebido ameaças de morte e violência sexual durante o período eleitoral no Rio Grande do Norte. Segundo a parlamentar, um e-mail enviado na última semana mencionou sua atuação política, seu nome e a cidade de Mossoró, na região Oeste do estado, além de descrever uma sequência de agressões que seriam praticadas contra ela.

O conteúdo da mensagem foi comunicado pela deputada a órgãos responsáveis pela investigação e fiscalização do caso, entre eles o Ministério Público, a Procuradoria Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte (PRE/RN) e a Ouvidoria da Mulher.

Em pronunciamento, Isolda afirmou que uma das ameaças dizia que seu corpo seria arrastado pelas ruas de Mossoró como forma de punição por suas posições políticas. A parlamentar classificou o conteúdo como uma demonstração de violência e afirmou que não pretende abandonar a atuação política.

Disseram que meu corpo seria arrastado pelas ruas de Mossoró como punição por defender o que acredito. A estes eu digo: por essas ruas passarei em pé, de cabeça erguida e junta de outras milhares a quem o medo não conseguiu vencer”, declarou.

Deputada aponta violência política de gênero

Ao relatar o caso, Isolda Dantas afirmou que as ameaças fazem parte de um cenário mais amplo de violência política contra mulheres que ocupam cargos públicos ou disputam eleições.

Quando nós, mulheres, entramos na política, muitos tentam nos expulsar pelo assédio moral, pelo silêncio, pela chacota e/ou pelo cansaço. Todas estas formas condenáveis de violência política de gênero. Tentam atingir nosso corpo, nossa família, nossa vida privada. Tentam nos fazer pensar duas vezes antes de falar, de disputar, de ocupar espaços”, afirmou.

A parlamentar também detalhou o conteúdo recebido por e-mail e disse que a mensagem apresentava ameaças consideradas extremamente graves. Segundo Isolda, o texto citava diretamente sua atuação política e fazia referência a Mossoró.

Recebi na última semana um e-mail com ameaças de violência sexual e morte. Uma mensagem de extrema crueldade, que cita meu nome, minha atuação política e Mossoró, e descreve uma sequência de violência contra mim”, relatou.

O episódio ocorre em meio a uma série de denúncias feitas por outras candidatas e parlamentares do Rio Grande do Norte, que também afirmaram ter sido alvo de perseguições, ataques e ameaças durante o período eleitoral.

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Candidatas relatam perseguições durante campanha

As vereadoras de Natal Thabatta Pimenta (PV) e Anne Lagartixa (PL) relataram, na última semana, situações de perseguição durante deslocamentos relacionados às agendas de campanha pelo interior do estado.

Thabatta afirmou ter enfrentado dois episódios. O primeiro teria ocorrido durante uma agenda em Carnaúba dos Dantas, quando o veículo em que estava com integrantes da equipe teria sido seguido por outro carro. Segundo a vereadora, a placa do automóvel foi anotada e as medidas cabíveis foram adotadas.

O segundo caso teria acontecido durante o trajeto entre Pau dos Ferros e Natal, no trecho entre Patu, no Rio Grande do Norte, e Brejo do Cruz, na Paraíba. Conforme o relato, dois homens em uma motocicleta teriam tentado fazer o carro parar.

Simplesmente surgiram dois homens em uma moto. Primeiro um e batendo no carro e depois outro mandando parar”, afirmou Thabatta.

Anne Lagartixa também relatou uma suposta perseguição durante o retorno de Serra Negra do Norte para Natal. Segundo a candidata, três veículos teriam acompanhado a comitiva nas proximidades de Bom Jesus.

Ameaças também foram denunciadas nas redes sociais

A vereadora informou que estava em uma comitiva formada por três carros, sendo dois identificados com adesivos de sua campanha. De acordo com o relato, o veículo ocupado pelos seguranças avançou e passou a acompanhar os automóveis suspeitos pela retaguarda, permitindo que os demais integrantes da equipe continuassem o deslocamento.

Além dos casos envolvendo perseguição, outras candidatas do Rio Grande do Norte afirmaram ter recebido ameaças diretamente por mensagens e redes sociais durante a campanha.

Brisa Bracchi, vereadora de Natal e candidata a deputada federal, relatou ter recebido mensagens de conteúdo misógino e LGBTfóbico em seus e-mails pessoal e institucional. Segundo ela, uma das mensagens indicava até uma data para uma suposta execução.

A deputada federal e candidata à reeleição Natália Bonavides também denunciou ter recebido uma mensagem com ameaças de morte e violência sexual. Já Juliana Garcia, candidata a deputada estadual, afirmou que vem sendo alvo de ataques nas redes sociais desde o início da campanha.

Entre os conteúdos denunciados pelas candidatas estão referências a morte, violência sexual, “estupro corretivo” e esquartejamento, além da divulgação de informações pessoais e dados de familiares.

Denúncias chegam aos órgãos responsáveis

Isolda Dantas afirmou que pretende continuar participando das atividades políticas e da campanha mesmo após as ameaças. O caso foi encaminhado ao Ministério Público, à Procuradoria Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte e à Ouvidoria da Mulher.

A parlamentar também reforçou que não pretende permitir que as ameaças determinem sua atuação política. O episódio se soma a outros relatos de violência política de gênero registrados entre candidatas e parlamentares do estado durante o período eleitoral.

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