Política
Publicado em 06/02/2026, às 17h36 Reprodução/X de Carlos Bolsonaro Jussier Lucas
A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) contestou, nesta sexta-feira (6), o laudo médico elaborado pela Polícia Federal e encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF) sobre as condições de saúde do ex-mandatário. Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão no Complexo Penitenciário da Papudinha, no Distrito Federal.
Embora o parecer da PF conclua que o ex-presidente recebe assistência médica considerada adequada no local, os advogados afirmam que o documento não assegura, de forma clara, a viabilidade de sua permanência no atual regime de custódia.
Segundo a defesa, o laudo se limita a afastar a necessidade de internação hospitalar imediata, sem garantir que as condições estruturais e assistenciais do presídio atendem às exigências clínicas do paciente.
Em nota, os defensores sustentam que o próprio relatório pericial reconhece a necessidade de cumprimento rigoroso de medidas médicas específicas, sob pena de agravamento do quadro de saúde do ex-presidente.
Leia também:
- Nada combinado: Márcia Maia afirma que não há acordo para ser vice de Cadu Xavier
- Larissa Rosado se coloca no jogo, mira vice com Cadu e antecipa polarização em 2026
Risco apontado pela própria perícia
De acordo com a defesa, o laudo da Polícia Federal alerta que a ausência das medidas recomendadas pode resultar em uma descompensação clínica súbita, com “risco concreto de morte”, além de indicar a possibilidade de novas quedas em razão das limitações funcionais identificadas durante a avaliação médica.
Os advogados também ressaltam que a perícia ainda não foi concluída de forma definitiva. Segundo eles, falta a apresentação do parecer do médico assistente técnico indicado pela defesa, que deverá complementar a análise sobre a compatibilidade entre o estado de saúde de Bolsonaro e o cumprimento da pena no sistema prisional.
Apesar de reconhecer que, no momento, o local de custódia atende às necessidades básicas do ex-presidente, o laudo da PF aponta a presença de sinais e sintomas neurológicos que aumentam o risco potencial de novos episódios de queda, o que demanda investigação diagnóstica adicional.
Diante desse cenário, a Polícia Federal recomendou, de maneira paliativa e provisória, uma série de medidas, como a instalação de grades de apoio em corredores e banheiros, ampliação de dispositivos de emergência e monitoramento, acompanhamento contínuo nas áreas comuns, avaliação nutricional especializada, prática de atividade física conforme tolerância clínica e tratamento fisioterápico contínuo, com foco em fortalecimento muscular e equilíbrio postural.
A perícia médica foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, após solicitação da defesa de Bolsonaro, que pleiteia a concessão de prisão domiciliar por razões humanitárias.