Política
Publicado em 29/07/2026, às 08h13 Reprodução internet Redação
A defesa do pré-candidato ao Governo do Rio Grande do Norte, Allyson Bezerra (União Brasil), apresentou ao Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte (TRE-RN) uma contestação à representação movida pelo Partido Novo e argumentou que a própria coligação do adversário Álvaro Dias (PL) adotou procedimento semelhante ao que agora tenta questionar na Justiça Eleitoral.
No documento protocolado nesta terça-feira (28), os advogados sustentam que não houve qualquer irregularidade na participação de Allyson em eventos partidários distintos e afirmam que integrantes da chapa adversária também participaram de convenções realizadas em datas diferentes, sem que isso tenha sido alvo de questionamento.
Para reforçar a argumentação, a defesa cita a participação de Álvaro Dias na convenção estadual do Podemos, realizada em Mossoró, no dia 25 de julho.
Na ocasião, o partido homologou a candidatura do senador Styvenson Valentim à reeleição. Um dia depois, em 26 de julho, o PL promoveu sua convenção em Natal para oficializar a candidatura de Álvaro ao Governo do Estado.
Segundo os advogados, Álvaro esteve presente no evento do Podemos, fez discurso e divulgou imagens da participação em suas redes sociais, comportamento considerado semelhante ao de Allyson durante a convenção estadual do PSD, realizada no Palácio dos Esportes, em Natal.
Evento do PSD não foi uma segunda convenção, diz defesa
Outro ponto central da manifestação é a afirmação de que o encontro promovido no último domingo (26) correspondeu exclusivamente à convenção estadual do PSD, presidido pela senadora Zenaide Maia.
De acordo com a defesa, o partido homologou oficialmente a candidatura de Zenaide ao Senado, aprovou a coligação "Esperança e Trabalho", definiu suplentes, indicou representante perante a Justiça Eleitoral e registrou todas as deliberações em ata, posteriormente encaminhadas ao sistema da Justiça Eleitoral.
Os advogados destacam que Allyson participou apenas como pré-candidato da coligação, sem exercer qualquer função de direção, convocação ou deliberação durante o evento.
Documentos buscam afastar acusação de planejamento
Para rebater a tese de que teria existido uma estratégia para dividir uma convenção "cartorial" e outra "política", a defesa anexou documentos ao processo.
Segundo os autos, o PSD solicitou a reserva do Palácio dos Esportes em 23 de junho, publicou o edital de convocação da convenção no dia 10 de julho e manteve a realização do evento para 26 de julho, antes mesmo das notícias citadas pelo Partido Novo como indícios de suposta premeditação.
Ação do Novo questiona convenções e publicações nas redes
A representação foi apresentada pelo Partido Novo, que integra a coligação do pré-candidato Álvaro Dias.
Na ação, a legenda sustenta que Allyson Bezerra teria promovido propaganda eleitoral antecipada ao participar de dois eventos relacionados à formalização de sua candidatura, o que, segundo o partido, ampliaria indevidamente sua exposição durante a pré-campanha.
Entre os pedidos apresentados ao TRE-RN, o Novo solicita que a Meta suspenda o perfil oficial do pré-candidato ou, alternativamente, remova 16 publicações relacionadas à convenção realizada no domingo (26).
A legenda também requer que a plataforma forneça informações sobre alcance das publicações, eventual impulsionamento e dados dos administradores de perfis que, conforme a representação, estariam atuando de forma coordenada na divulgação de conteúdos da pré-campanha.
Troca de manifestações entre as campanhas
Após o ajuizamento da ação, Allyson Bezerra afirmou publicamente que a iniciativa partiu da campanha adversária.
Em resposta, o Partido Novo divulgou nota esclarecendo que a representação foi proposta pela própria legenda, e não pelo ex-prefeito Álvaro Dias.
Já a assessoria do pré-candidato do União Brasil classificou a medida como uma tentativa de retirar do ar conteúdos publicados durante a pré-campanha e na convenção realizada no Palácio dos Esportes.