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Política

Debate termina com candidatos ao governo do RN trocando acusações e PF no centro dos confrontos

Debate acontece na sede do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio Grande do Norte (CREA-RN), em Natal, e é promovido pelo Grupo Dial Natal  |  Jussier Lucas

Publicado em 02/09/2026, às 23h21   Jussier Lucas   BNews RN

O debate entre os candidatos ao Governo do Rio Grande do Norte terminou, na noite desta quarta-feira (2), com os quatro participantes concentrados em uma sucessão de acusações. Embora temas como saúde, educação, segurança pública, meio ambiente e a escala 6x1 tenham aparecido no último bloco, as investigações da Polícia Federal voltaram a dominar os confrontos e deixaram as propostas em segundo plano.

Logo no início do bloco, Cadu de Lula (PT) provocou Allyson Bezerra (União Brasil) ao fazer referência à Operação Mederi, da Polícia Federal.

“Foi você quem teve a PF na sua porta. Eu nunca tive”, afirmou Cadu.

Allyson rebateu imediatamente e direcionou o ataque para o campo governista, cobrando explicações de Cadu sobre a Operação Lectus, investigação deflagrada em 2021 pela Polícia Federal e pela Controladoria-Geral da União para apurar suspeitas de fraudes em licitações e desvios de recursos federais destinados à saúde durante a pandemia.

O confronto fez os dois candidatos elevarem o tom. Um interrompia o outro enquanto tentavam sustentar suas respectivas acusações.

“O senhor é um fora da lei”, disparou Cadu, que também acusou Allyson de ter enriquecido e de ter traído suas origens, fazendo referência a supostos superfaturamentos na compra de medicamentos.

Allyson respondeu atacando a atuação de Cadu no governo estadual. “Ele aumentou o salário dele no meio de uma pandemia e com uma canetada só. O senhor vai negar?”, questionou.

Mederi volta ao centro

Na sequência, o Professor Robério Paulino (PSOL) também direcionou suas críticas a Allyson e voltou a cobrar explicações sobre a Operação Mederi.

Allyson afirmou que presta contas de sua atuação e sustentou que não existe condenação contra ele. O candidato também voltou a cobrar de Cadu explicações sobre o aumento salarial que atribuiu ao petista.

Robério, por sua vez, insistiu nas acusações relacionadas à Mederi e repetiu a afirmação de que Allyson teria recebido 15% dos valores em propina, atribuindo a informação à investigação.

O candidato do PSOL também chamou Allyson de “camaleão” e afirmou que ele estaria tentando escapar das perguntas.

“Vim aqui para discutir ideias. Até agora o senhor não apresentou nenhuma”, respondeu Allyson.

O candidato do União Brasil acusou Robério de concentrar sua participação em agressões pessoais e não apresentar propostas para o Estado.

Álvaro e Allyson protagonizam novo confronto

O embate seguinte envolveu Álvaro Dias (PL) e Allyson. Álvaro foi direto ao questionar o adversário sobre a investigação da Polícia Federal.

“Você, todas as vezes, quer ser o coitadinho, o perseguido”, afirmou Álvaro, lembrando a realização de buscas relacionadas à investigação.

O candidato também disse que Allyson deveria responder sobre um suposto relatório relacionado ao recebimento de propina.

Allyson rebateu:

“O senhor está mentindo. O que está tendo é uma investigação”.

Na sequência, Allyson devolveu o ataque e citou a compra de respiradores durante a gestão de Álvaro na Prefeitura de Natal. Ele mencionou a Operação Rebotalho, investigação relacionada à aquisição de 20 ventiladores pulmonares pela Secretaria Municipal de Saúde de Natal em 2020, durante a pandemia.

“Ele está nervoso assim porque sabe que deve. Como explica os respiradores irregulares comprados na sua gestão?”, questionou Allyson.

Álvaro negou envolvimento e afirmou que não foi citado na investigação. Segundo ele, a aquisição foi conduzida pelo então secretário municipal de Saúde, George Antunes.

“Eu não fui nem citado”, insistiu.

Meio ambiente também vira munição política

Na sequência, Álvaro questionou Robério sobre as condições climáticas. A resposta, porém, rapidamente voltou para a disputa política e para as acusações contra Allyson envolvendo a Operação Mederi.

Robério também acusou Álvaro de ter articulado uma invasão ao IDEMA durante as discussões relacionadas às licenças ambientais para a obra de engorda da praia de Ponta Negra.

O professor aproveitou ainda para concordar com críticas feitas anteriormente sobre a postura de Allyson e afirmou que o candidato estaria evitando responder aos questionamentos.

A saúde voltou a aparecer quando Robério questionou Álvaro sobre o setor. Médico, o ex-prefeito de Natal defendeu investimentos em prevenção e concordou com a necessidade de priorizar a atenção preventiva.

Último confronto termina sem trégua

O último embate do debate colocou novamente frente a frente Allyson e Cadu.

Allyson retomou uma pergunta que já havia aparecido durante o debate e questionou Cadu sobre sua atuação como secretário da Fazenda do governo estadual.

“O senhor aumentou ou não aumentou seu próprio salário?”, perguntou.

Cadu, porém, voltou a direcionar a discussão para a Operação Mederi e cobrou do adversário a apresentação de um eventual arquivamento da investigação.

“O senhor está sendo acusado de corrupção, candidato. Traga o arquivamento da Operação Mederi. O senhor não gosta de desafios?”, provocou.

A partir daí, os dois candidatos passaram a trocar acusações sucessivas, até o encerramento do tempo destinado às respostas.

Propostas ficam em segundo plano

O último bloco, que poderia consolidar as propostas dos candidatos para o Estado, terminou marcado pela repetição dos confrontos que dominaram boa parte do debate.

Saúde, educação, segurança, meio ambiente e a discussão sobre a escala 6x1 chegaram a ser abordados, mas as acusações envolvendo investigações da Polícia Federal acabaram ocupando a maior parte do tempo.

Ao final dos quatro blocos, uma característica ficou evidente: o debate foi menos marcado pela apresentação detalhada de propostas e mais pelo confronto direto entre os candidatos, com investigações policiais, acusações de corrupção e questionamentos sobre gestões passadas ocupando o centro da disputa pelo Governo do RN.

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