Política
Publicado em 04/07/2026, às 18h10 Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil Ranyere Fonseca
A relação entre o cidadão brasileiro, a carga tributária e a prestação de serviços estatais passou por uma alteração relevante. Segundo a mais recente rodada da matriz ideológica do Datafolha, metade dos brasileiros (50%) declara preferir pagar menos impostos, mesmo que isso signifique arcar com serviços particulares de saúde e educação. O percentual de entrevistados que defende a manutenção da carga tributária mais elevada em troca de serviços públicos gratuitos recuou para 44%.
Este resultado marca um distanciamento em relação ao cenário registrado em 2022, quando o país vivia um empate técnico no debate, com 46% favoráveis à redução de impostos e 48% defensores da gratuidade via tributação. A tendência de crescimento da visão liberal na economia sugere um desejo crescente de autonomia por parte da população sobre seus próprios recursos.
Essa pergunta é um dos pilares da escala de pensamento econômico do instituto, que utiliza seis tópicos para segmentar o posicionamento dos eleitores. Além da relação impostos-serviços, o estudo avalia a intervenção estatal, a responsabilidade pelos investimentos no país, a atuação do governo em prol de grandes empresas e a percepção sobre as leis trabalhistas.
Os dados reforçam a existência de uma polarização na visão de mundo entre os diferentes grupos demográficos e políticos do país. Ao analisar as intenções de voto para a Presidência, o abismo ideológico fica evidente: enquanto 65% dos eleitores de Flávio Bolsonaro (PL) priorizam a redução de impostos, a maioria dos eleitores de Lula (PT), cerca de 59%, mantém a defesa do modelo focado em serviços públicos gratuitos financiados pelo Estado.
A pesquisa também traz recortes importantes sobre a percepção da população. Entre os homens, o desejo por menor carga tributária atinge 56%, enquanto entre as mulheres o índice é menor, de 44%. No recorte religioso, a divergência é clara: o eleitorado evangélico apresenta uma predominância pela desoneração (56%), ao passo que, entre os católicos, a preferência é dividida equitativamente entre as duas opções, mantendo um equilíbrio que reflete a complexidade do debate nacional.
O levantamento do Datafolha, realizado entre 17 e 18 de junho de 2026, ouviu 2.004 eleitores de 139 municípios. Com margem de erro de 2 pontos percentuais e intervalo de confiança de 95%, os resultados fornecem uma base estatística robusta para entender as pressões por mudanças nas políticas públicas que devem permear os próximos ciclos eleitorais no país.