Política
Publicado em 29/05/2026, às 20h05 ARQUIVO Jussier Lucas
A Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) concluiu nesta sexta-feira (29) que o ex-presidente Juscelino Kubitschek foi assassinado pela ditadura militar em 1976. A decisão foi aprovada por seis votos favoráveis e uma abstenção, alterando oficialmente o entendimento de que a morte ocorreu em um acidente automobilístico.
Com a aprovação do relatório, a comissão passa a adotar a tese de que o Estado brasileiro teve responsabilidade pela morte de JK. Além disso, foi informado que a certidão de óbito do ex-presidente deverá ser retificada para incluir a expressão “morte causada pelo Estado” como causa oficial.
A conclusão foi apresentada durante entrevista coletiva realizada no Ministério Público Federal, em São Paulo. O relatório, elaborado pela relatora Maria Cecília Adão, reúne mais de mil páginas e revisa investigações e documentos relacionados ao caso.
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Segundo a comissão, a nova análise identificou inconsistências na versão oficial apresentada à época e apontou a existência de fraudes em perícias e laudos produzidos após a morte de Juscelino Kubitschek.
O documento sustenta que o ex-presidente foi alvo de perseguição política durante o regime militar, após ter seus direitos políticos cassados. O relatório afirma ainda que JK era visto pelos militares como um adversário com forte potencial eleitoral e que sua influência política representava uma ameaça aos interesses do regime.
Entre as conclusões apresentadas estão a existência de ameaças anteriores à morte, tentativas de neutralização política e supostas irregularidades nas investigações conduzidas após o ocorrido. A comissão informou ter identificado 37 fraudes relacionadas à apuração original do caso.
A revisão do episódio contraria a versão oficial consolidada ao longo das últimas décadas, segundo a qual JK morreu em um acidente de carro na Via Dutra, em agosto de 1976.
Apesar do novo entendimento adotado pela comissão, familiares do ex-presidente informaram que não pretendem solicitar a continuidade das investigações sobre o caso. Ainda assim, a decisão representa uma mudança histórica na interpretação oficial sobre a morte de um dos principais líderes políticos da história brasileira.