Política
Publicado em 18/05/2026, às 12h27 Foto: Francisco de Assis Giovana Gurgel
A Câmara Municipal de Natal realizou, nesta sexta-feira (15), uma audiência pública para discutir os desafios da educação inclusiva na rede municipal. O debate reuniu parlamentares, educadores e especialistas, que cobraram ampliação de investimentos em estrutura, formação continuada e contratação de profissionais para atender estudantes com deficiência.
Durante o encontro, o vereador Daniell Rendall (Republicanos) anunciou que irá encaminhar um projeto de indicação ao Executivo para fortalecer o Atendimento Educacional Especializado (AEE).
Segundo o parlamentar, cerca de 4.800 pessoas aguardam laudo na rede pública de saúde, cenário que pode aumentar significativamente a demanda por atendimento especializado nas escolas municipais nos próximos meses.
Daniell Rendall destacou ainda que a rede conta atualmente com 140 professores em salas de recursos multifuncionais e 24 intérpretes da Língua Brasileira de Sinais (Libras), mas ainda necessita da contratação de pelo menos mais 50 profissionais.
“Precisamos ampliar a inclusão, não apenas o acesso”, afirmou.
Durante a audiência, a professora Cláudia Fabião defendeu melhorias na estrutura das unidades escolares e mais investimentos em equipamentos e materiais acessíveis para os alunos. Ela também ressaltou a necessidade de formação continuada e integração entre os profissionais da educação.
“Não podemos falar de inclusão sem olhar para a realidade das salas de recursos multifuncionais. Precisamos de equipamentos modernos, materiais acessíveis e, acima de tudo, tempo garantido para que professores especialistas, auxiliares e regentes trabalhem juntos pelo desenvolvimento do aluno com deficiência”, declarou.
Já a neuropsicopedagoga Rosynelle Darllany alertou para a sobrecarga enfrentada pelos educadores e a falta de suporte pedagógico adequado nas escolas da rede municipal.
De acordo com Rosynelle Darllany, a Escola Municipal João Paulo II possui atualmente 96 alunos laudados e outros 50 em processo de investigação diagnóstica. Ela informou ainda que 11 estudantes estão sem frequentar as aulas devido à ausência de acompanhamento adequado.
“Incluir não é só matricular. É garantir permanência e desenvolvimento dessas crianças”, destacou a especialista durante o debate promovido na Câmara.