Política
Publicado em 31/12/2025, às 11h06 Reprodução internet Dani Oliveira
Dívida pública ultrapassa R$ 10 trilhões e fecha 2025 em patamar histórico no Brasil
Endividamento do setor público se aproxima de 80% do PIB e acende alerta para os próximos anos
Pela primeira vez na história, o Brasil deve encerrar o ano com a dívida pública acima de R$ 10 trilhões. O dado consta em levantamentos oficiais do Banco Central do Brasil e foi destacado em análise publicada nesta terça-feira (30).
A chamada Dívida Bruta do Governo Geral — que engloba União, estados e municípios — alcançou um nível que supera o Produto Interno Bruto (PIB) de mais de 180 países, segundo comparações internacionais.
Desse total, aproximadamente 80% do endividamento é atribuído ao governo federal.
Dívida já consome quase 80% do PIB
Atualmente, o endividamento público brasileiro representa quase 80% do PIB nacional. Projeções do Instituto Fiscal Independente indicam que esse percentual pode ultrapassar 82% em 2026, caso o ritmo de crescimento da dívida seja mantido.
O cenário preocupa analistas fiscais por limitar a capacidade de investimento do Estado e aumentar a pressão sobre juros, inflação e equilíbrio das contas públicas.
Especialistas alertam para efeitos de longo prazo
O diretor do IFI, Marcus Pestana, compara o quadro fiscal brasileiro a uma doença crônica.
“O desequilíbrio contamina e limita o horizonte do País”, afirmou o economista ao comentar o avanço do endividamento.
Segundo o IFI, o crescimento da dívida reduz a margem de manobra do governo para políticas públicas e aumenta o risco fiscal no médio e longo prazo.
Gastos fora das regras fiscais entram no debate político
Parlamentares da oposição têm apontado que, nos últimos três anos, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva autorizou R$ 324,3 bilhões em despesas fora do teto das regras fiscais, incluindo mecanismos criados pela própria gestão para flexibilizar os limites de gastos.
O tema deve continuar no centro do debate econômico em 2026, especialmente diante das discussões sobre responsabilidade fiscal, crescimento econômico e sustentabilidade da dívida pública.