Uma reviravolta na Operação Sem Desconto promete abalar as estruturas de Brasília. Dois ex-servidores do alto escalão do INSS, presos desde novembro, estão em processo avançado de delação premiada.
Segundo informações apuradas pela coluna de Andreza Matais, no Metrópoles, o ex-procurador Virgílio Oliveira Filho e o ex-diretor de Benefícios André Fidelis detalharam o envolvimento de políticos e nomes ligados ao poder no esquema conhecido como "Farra do INSS".
Nomes de peso citados
Entre os nomes entregues pelos delatores está o de Fábio Luís Lula da Silva, o "Lulinha", filho mais velho do presidente Lula.
Além dele, o esquema também teria braços no governo anterior: a ex-ministra da Secretaria de Relações Institucionais de Jair Bolsonaro, Flávia Péres (ex-Flávia Arruda), foi citada pela primeira vez associada ao esquema de descontos ilegais em aposentadorias.
O tamanho do rombo
A Polícia Federal acusa os ex-dirigentes de movimentações milionárias:
- Virgílio Oliveira Filho: acusado de receber R$ 11,9 milhões de empresas ligadas a entidades que faziam descontos ilegais. O patrimônio do procurador saltou R$ 18,3 milhões, incluindo um apartamento de luxo em Curitiba e a reserva de um imóvel de R$ 28 milhões em Balneário Camboriú.
- André Fidelis: teria recebido R$ 3,4 milhões em propina entre 2023 e 2024. Sob sua gestão, 14 entidades foram habilitadas, descontando um total de R$ 1,6 bilhão diretamente da folha dos aposentados.
Efeito Dominó
O empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como "Careca do INSS", também estaria preparando sua própria delação após familiares se tornarem alvos da PF.
O esquema funcionava através de Acordos de Cooperação Técnica (ACT) que permitiam descontos automáticos nos benefícios, muitas vezes sem a autorização clara dos idosos.
Quem são os personagens?
- Virgílio Filho: ex-procurador do INSS e servidor de carreira da AGU. Atuava como o principal consultor jurídico da autarquia e deu pareceres decisivos para autorizar descontos que atingiram milhares de aposentados.
- André Fidelis: ex-diretor de Benefícios do INSS (2023-2024). É apontado pela CPMI do órgão como o gestor que mais assinou acordos de cooperação técnica com entidades na história, facilitando o desconto de R$ 1,6 bilhão.
- Fábio Luís Lula da Silva (Lulinha): filho mais velho do presidente Lula. Foi citado pelos dois novos delatores como um dos nomes envolvidos no esquema de influência e repasses dentro da autarquia.
- Flávia Péres (ex-Flávia Arruda): ex-ministra da Secretaria de Relações Institucionais do governo Jair Bolsonaro. Seu nome aparece pela primeira vez associado ao esquema; ela é casada com o economista Augusto Lima.
- Careca do INSS: apelido de Antônio Carlos Camilo Antunes, empresário apontado como o operador central e "pagador" das propinas que abasteciam o alto escalão e políticos.
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