Política
Publicado em 23/08/2026, às 12h38 Foto: reprodução internet/TSE Ranyere Fonseca
As eleições de 2026 já começaram a render histórias inusitadas. Ao registrarem as candidaturas, os políticos precisam apresentar à Justiça Eleitoral a declaração de bens atualizada. O documento, que fica público no site do TSE, revela o patrimônio de cada um. Só que, desta vez, alguns números saltaram aos olhos.
Entre milhares de candidatos, alguns apareceram como bilionários. Não por serem os mais ricos do país, mas por erros de digitação que transformaram milhares em milhões e milhões em bilhões. Carros populares listados por dezenas de milhões de reais e imóveis residenciais avaliados em mais de R$ 1 bilhão. O resultado? Uma lista de “bilionários por engano” que já corre atrás de correção.
O caso mais chamativo é o de Pablo Marçal (PRTB). O candidato à Presidência (ainda com situação de inelegibilidade em análise) chegou a declarar mais de R$ 7 bilhões em bens, o maior valor entre todos os postulantes.
Pouco depois, alegou erro de digitação e pediu a retificação. No sistema do TSE, o patrimônio já aparece atualizado em R$ 149,9 milhões. A diferença de mais de R$ 7 bilhões mostra como um zero a mais (ou vários) pode distorcer completamente a realidade.
Em segundo lugar na lista dos “bilionários acidentais” aparece Maria Lúcia Soares Viana, a Lúcia Viana (PSol-TO), candidata a vice-governadora do Tocantins. Ela declarou R$ 2,07 bilhões.
Entre os bens listados estavam um Toyota Etios avaliado em R$ 35 milhões e uma Fiat Strada em R$ 15 milhões. A assessoria do partido confirmou que houve erro de digitação: os valores que deveriam estar na casa dos milhares foram registrados como milhões. O patrimônio real da candidata deve ficar em torno de R$ 2 milhões após a correção.
Fechando o pódio dos bilionários por engano está a médica Georgia Micheletti (PSDB-AC), candidata a deputada estadual no Acre. Ela declarou mais de R$ 1,2 bilhão em bens. O destaque vai para uma casa em condomínio residencial avaliada em R$ 1,1 bilhão.
Segundo a assessoria do PSDB, o valor correto é R$ 1,1 milhão. O partido já solicitou a retificação junto à Justiça Eleitoral, mas, até o momento da publicação original, o sistema do TSE ainda mostrava o patrimônio bilionário.
Não foram só os três primeiros. André Silva (MDB), candidato a deputado estadual em Alagoas, declarou R$ 548 milhões em participações societárias. O diretório do MDB no estado confirmou que já pediu a correção do valor.
Já em Minas Gerais, Alvamiro Alves Branco (PDT), também candidato a deputado estadual, listou uma casa em Ibirité por R$ 400 milhões. O diretório mineiro do partido esclareceu que o imóvel vale, na verdade, R$ 400 mil.
Pelas regras, os candidatos devem apresentar a relação atualizada de bens no momento do pedido de registro. Se houver falha ou omissão, o candidato ou o partido é intimado e tem três dias para corrigir.
Segundo a advogada especialista em direito eleitoral Joacinara Jansen, erros ou omissões na declaração “não geram, por si só, a cassação ou responsabilização criminal automática”. A Justiça pode abrir diligências quando as inconsistências forem relevantes. As consequências dependem das circunstâncias, da gravidade da informação e das provas existentes.
A maioria desses casos parece mesmo erro humano na hora de digitar os zeros. Mas a publicidade das declarações transforma qualquer deslize em assunto nacional e obriga partidos e candidatos a correrem para regularizar a situação antes que a polêmica cresça ainda mais.
Para o eleitor, fica o alerta: nem todo número bilionário que aparece no DivulgaCand é o que parece. Muitos são apenas o resultado de um dedo pesado no teclado.