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Política

Investigados por corrupção, prefeitos tentam desqualificar PF e Judiciário e alegam “perseguição” em ano eleitoral

Estratégia de desqualificação das instituições é replicada por prefeitos em todo o Brasil, visando mobilização eleitoral.  |  Foto: reprodução internet

Publicado em 07/03/2026, às 12h26   Foto: reprodução internet   Ranyere Fonseca

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A menos de seis meses das eleições de 2026, uma narrativa coordenada começa a tomar conta das redes sociais de prefeitos e lideranças políticas sob investigação: o discurso da "perseguição política". O movimento, que busca transformar operações da Polícia Federal e decisões do Judiciário em combustível eleitoral, tem no Rio Grande do Norte um de seus expoentes mais barulhentos: o prefeito de Mossoró,Allyson Bezerra (União Brasil).

Allyson foi alvo de uma operação da PF no fim de janeiro, que cumpriu 35 mandados de busca e apreensão para apurar supostas irregularidades em recursos da saúde e comunicação institucional. Desde então, o prefeito adotou uma postura de "vítima do sistema", vinculando a ação policial ao fato de seu nome liderar pesquisas de intenção de voto para o Governo do Estado.

O "timing" eleitoral como escudo

Em vídeos publicados para seus seguidores, o prefeito de Mossoró questionou o momento da operação.

"É um processo de 2023, mas só agora em janeiro de 2026, ano eleitoral, foi que houve essa investigação na minha casa", declarou Allyson, sugerindo que as instituições estariam sendo usadas para barrar sua ascensão política.

No entanto, especialistas em ciência política alertam que essa estratégia visa deslocar o debate do campo jurídico (onde há provas e fatos) para o campo passional e político. Ao questionar a legitimidade da Polícia Federal, o investigado tenta blindar sua base de apoio, transformando a crise de imagem em capital de mobilização.

Fenômeno nacional

O caso potiguar não é isolado. Levantamentos mostram que prefeitos no Amazonas e no Amapá, que também almejam os governos estaduais, replicam exatamente o mesmo roteiro após operações policiais em suas gestões:

O risco da narrativa

Para juristas, a tentativa de politizar investigações técnicas é perigosa para a democracia, pois mina a confiança da população nos órgãos de controle. Enquanto os prefeitos alegam perseguição, a Polícia Federal e o Ministério Público reforçam que o calendário das investigações segue o ritmo da coleta de provas, independentemente do calendário eleitoral.

O embate deve dar o tom das campanhas no Rio Grande do Norte nos próximos meses. De um lado, o Judiciário buscando transparência no uso do dinheiro público; do outro, pré-candidatos tentando convencer o eleitor de que as algemas têm cor partidária.

Classificação Indicativa: Livre


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