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Política

Allyson acusa governo do RN de preparar corte de R$ 196,5 milhões; Cadu diz desconhecer medida

Allyson citou vídeo sobre proposta de contingenciamento de R$ 196,5 milhões que prevê restrições de recursos para segurança, UERN e estradas  |  Jussier Lucas/Bnews RN

Publicado em 22/10/2026, às 23h15   Jussier Lucas/Bnews RN   Jussier Lucas

O candidato ao Governo do Rio Grande do Norte Allyson Bezerra (União Brasil) usou os dois primeiros blocos do debate da Inter TV, nesta quinta-feira (22), para questionar Cadu de Lula (PT) sobre as contas estaduais e uma proposta de contingenciamento de R$ 196,5 milhões no orçamento do Executivo. Allyson citou um vídeo publicado em suas redes sociais no qual acusa o governo de preparar um “pacote de maldades” e de esconder a medida da população antes do segundo turno, marcado para domingo (25).

Cadu afirmou durante o debate que não tem conhecimento do decreto mencionado pelo adversário e que está afastado do governo estadual há seis meses. A discussão colocou em confronto as críticas de Allyson à gestão das contas públicas e a posição do candidato petista sobre a proposta.

Segundo os documentos descritos no material que embasa a denúncia, a Secretaria de Estado do Planejamento (Seplan) elaborou uma minuta de contingenciamento que restringiria R$ 196,5 milhões em despesas e investimentos de diferentes órgãos estaduais. O documento teria sido encaminhado ao Gabinete Civil no mês passado. A minuta, no entanto, não representa por si só a confirmação de que os recursos foram efetivamente cortados: a medida depende da publicação de um decreto.

Segurança, UERN e estradas estão entre as áreas citadas

No vídeo, Allyson afirma que o governo teria deixado a proposta guardada para evitar que ela viesse a público antes da eleição. O candidato associa o possível contingenciamento a dificuldades na segurança pública, na educação e na infraestrutura rodoviária e critica o que considera uma contradição entre o discurso do governo e a previsão de restrição de recursos.

De acordo com os valores atribuídos à minuta, a Polícia Militar teria R$ 2,25 milhões em recursos sujeitos a restrição, enquanto o Fundo Estadual de Segurança Pública e Defesa Social teria outros R$ 2,41 milhões. Somados, os valores chegam a R$ 4,66 milhões. A documentação descrita não especifica quais aquisições, equipamentos ou ações seriam afetados.

A Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN) aparece com R$ 6 milhões em investimentos sujeitos a bloqueio. O maior valor está relacionado ao Departamento de Estradas de Rodagem (DER), que concentra R$ 165,1 milhões, considerando duas fontes de recursos previstas na minuta.

A relação também inclui R$ 7,32 milhões da Secretaria do Trabalho, Habitação e Assistência Social; R$ 4,85 milhões do Fundo de Desenvolvimento de Transportes e Obras; R$ 452 mil da Companhia Estadual de Habitação; R$ 256 mil do Fundo Estadual do Programa do Artesanato; e R$ 49 mil da pasta estadual responsável por políticas para mulheres, juventude, igualdade racial e direitos humanos.

No vídeo, Allyson cita um corte de mais de R$ 2 milhões na Polícia Militar, de R$ 2,4 milhões no fundo de segurança, de R$ 6 milhões na UERN e de R$ 163 milhões no DER. Os valores apresentados na publicação diferem parcialmente dos números detalhados na minuta descrita no material.

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Governo aponta diferença entre receita prevista e arrecadada

A justificativa atribuída à Seplan para a proposta é a arrecadação estadual abaixo do previsto. Conforme os dados do processo, o Rio Grande do Norte esperava arrecadar R$ 8,57 bilhões, mas registrou R$ 7,85 bilhões no primeiro semestre de 2026, uma diferença negativa de R$ 722,1 milhões.

Segundo a justificativa técnica, a limitação de despesas seria necessária para adequar os gastos à receita disponível e cumprir as metas fiscais. O contingenciamento restringe a autorização para assumir despesas e pode reduzir o ritmo de investimentos, mas a minuta não detalha quais obras ou serviços seriam diretamente afetados nem indica cancelamento definitivo dos recursos.

Allyson, entretanto, classificou a proposta como um “pacote de maldades” e usou o tema para questionar a condução das finanças estaduais. O candidato também associou a discussão à experiência que teve como prefeito de Mossoró, afirmando que reorganizou as contas do município.

Cadu, por sua vez, sustentou que desconhece a medida e que está afastado do governo há seis meses. A discussão ocorreu no último debate entre os dois candidatos antes do segundo turno, quando os eleitores potiguares escolherão quem comandará o Executivo estadual pelos próximos quatro anos.

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