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Política

Alcolumbre calcula ter 48 votos e prepara confronto com oposição por impeachment de Moraes

Presidente do Senado conta com 48 votos para se manter no cargo até 2027, evitando pedidos de impeachment contra ministros do STF  |  © Andressa Anholete/Agência Senado

Publicado em 26/10/2026, às 17h00   © Andressa Anholete/Agência Senado   Giovana Gurgel

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), calcula ter pelo menos 48 votos para continuar no comando da Casa em fevereiro de 2027 e já sinaliza que não pretende avançar com pedidos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), especialmente Alexandre de Moraes. A estratégia coloca o senador em rota de colisão com o Partido Liberal e com o líder da oposição, Rogério Marinho (PL-RN), que defendem mudanças na relação entre o Legislativo e o Judiciário. 

A estimativa de Alcolumbre supera os 41 votos necessários para conquistar a presidência do Senado. O número foi divulgado pela CNN Brasil nesta segunda-feira (26), com base em informações atribuídas a interlocutores do parlamentar. Até o momento, porém, o presidente da Casa não apresentou publicamente a relação dos senadores que estariam comprometidos com sua recondução.

O cenário indica que Alcolumbre aposta na aproximação com partidos de centro e com a base do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para garantir apoio suficiente, mesmo diante do fortalecimento da direita no Congresso. Como a eleição ocorre por votação secreta, os acordos políticos não asseguram que todos os parlamentares mantenham seus votos até o dia da escolha.

A disputa ganha força com a nova configuração do Senado, que terá o PL como maior bancada a partir de 2027. Segundo a Agência Senado, o partido contará com 29 das 81 cadeiras, enquanto o Partido dos Trabalhadores terá dez representantes. O Movimento Democrático Brasileiro (MDB) ficará com oito, o Progressistas (PP) com seis, e União Brasil e Republicanos terão cinco senadores cada.

PL tenta conquistar o comando da casa

Apesar de liderar numericamente a composição do Senado, o PL precisará conquistar apoio de outras legendas para eleger seu candidato. A bancada terá de reunir pelo menos mais 12 votos externos para alcançar a maioria absoluta exigida na eleição da Mesa Diretora, caso mantenha todos os seus integrantes alinhados.

Entre os possíveis adversários de Alcolumbre está Rogério Marinho, senador pelo Rio Grande do Norte e líder da oposição. O parlamentar defende uma reformulação da relação entre o Senado e o Supremo e já colocou uma reforma do Judiciário entre suas prioridades para uma eventual gestão à frente da Casa.

A candidatura, no entanto, depende de uma articulação política capaz de romper a vantagem projetada pelo atual presidente. O voto secreto abre espaço para negociações de última hora, enquanto Alcolumbre tenta consolidar alianças com partidos que não integram o núcleo da oposição. A disputa, portanto, vai além do tamanho das bancadas e envolve a capacidade de cada grupo de atrair parlamentares de diferentes correntes políticas.

Impeachment de ministros vira ponto de atrito

O principal embate entre Alcolumbre e a oposição envolve os pedidos de impeachment contra integrantes do Supremo. O presidente do Senado sinalizou a interlocutores que não pretende encaminhar essas solicitações para votação, posição que contraria uma das principais bandeiras defendidas pelo PL e por setores da direita.

A Constituição Federal estabelece que cabe ao Senado julgar ministros do Supremo por crimes de responsabilidade. Antes de um pedido chegar ao plenário, contudo, é necessário que a Presidência da Casa dê andamento à solicitação. Sem essa decisão, o processo não avança, mesmo que haja apoio de parlamentares.

Rogério Marinho defendeu que a abertura de processos de impeachment se torne automática quando houver o apoio de 49 senadores. A proposta alteraria a dinâmica atual, que não estabelece esse encaminhamento obrigatório. A iniciativa também aumenta a pressão sobre a futura presidência do Senado, transformando o controle da pauta em uma questão central para a oposição.

Eleição será realizada em fevereiro de 2027

A eleição para a presidência do Senado está prevista para 1º de fevereiro de 2027, data em que os parlamentares eleitos em outubro tomarão posse. O Regimento Interno determina votação secreta e exige pelo menos 41 votos para a vitória. Caso nenhum candidato alcance esse patamar na primeira rodada, os dois mais votados disputarão um novo escrutínio.

Alcolumbre assumiu novamente a presidência em fevereiro de 2025, quando recebeu 73 votos. Ele já havia comandado a Casa entre 2019 e 2021. A previsão de uma votação menor em 2027, caso se confirme, refletiria as mudanças na composição política do Senado e a reorganização das alianças após a eleição presidencial.

No domingo (25), depois da proclamação do resultado do segundo turno, Alcolumbre reconheceu oficialmente a reeleição de Lula e defendeu a pacificação do país. O posicionamento reforçou sua interlocução com o governo federal em meio às negociações para o próximo mandato. Ao mesmo tempo, a disputa pela presidência do Senado deve aprofundar as divergências sobre a atuação do Supremo e o poder dos parlamentares para decidir quais pedidos de impeachment terão andamento.

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