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Política

"Acima da ideologia": Michelle Bolsonaro defende pauta da comunidade surda e rebate críticas por elogio ao governo Lula

Em meio a instabilidades no PL, Michelle Bolsonaro destaca a importância da Política Nacional de Educação Bilíngue de Surdos, priorizando inclusão.  |  Foto: reprodução internet/redes sociais

Publicado em 04/07/2026, às 12h26   Foto: reprodução internet/redes sociais   Ranyere Fonseca

Em meio a um cenário de instabilidade no Partido Liberal (PL), a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro recorreu às redes sociais neste sábado (4) para reforçar o que chama de "pauta do seu coração". Ao justificar o elogio feito à Política Nacional de Educação Bilíngue de Surdos (Pnebs), implementada pelo governo Lula, ela buscou separar a eficácia das políticas públicas das divergências ideológicas.

"Sempre fui uma defensora das pessoas com deficiência. Essa é a pauta do meu coração e ela está acima de qualquer ideologia ou partido", declarou Michelle em seu perfil oficial.

A ex-primeira-dama detalhou que a política lançada agora pelo MEC tem raízes profundas no trabalho iniciado durante o mandato de seu marido, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

"A Política Nacional de Educação Bilíngue de Surdos, lançada hoje (3), foi elaborada e apresentada em nosso governo, fruto do nosso carinho e cuidado para com a comunidade surda", frisou.

O histórico como argumento

Para fortalecer seu argumento de que o bem-estar social deve sobrepor-se a siglas, Michelle citou marcos anteriores de sua atuação.

"Quando foi presidente da República, meu marido, Jair Bolsonaro, deu uma demonstração clara de que o bem das pessoas deve prevalecer sobre diferenças partidárias ao sancionar a Lei Amália Barros, um projeto apresentado por um parlamentar do PT", recordou.

Segundo ela, a decisão à época foi pautada exclusivamente pelo benefício que o reconhecimento da visão monocular como deficiência traria a "milhares de brasileiros".

"Jair não olhou quem apresentou o projeto. Avaliou o bem que iria fazer às pessoas e sancionou com alegria a lei", enfatizou a ex-primeira-dama.

Sobre a atual conjuntura da Pnebs, ela lamentou apenas a demora na entrega.

"Infelizmente, uma ação judicial atrasou a tramitação e não foi possível entregá-la antes do fim do nosso governo. Porém, o mais importante não é quem apresentou a política, mas sim quem se beneficiará dela: a comunidade surda! Eles estão de parabéns!", completou.

Pressão

O posicionamento de Michelle surge em um momento delicado de sua relação com o enteado, Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL à Presidência. Nos bastidores, aliados do senador têm tentado esvaziar a imagem da ex-primeira-dama, chegando a circular registros dela com vestimentas associadas a partidos de esquerda.

O clima de "fogo amigo" e a pressão de Valdemar Costa Neto para que ela defina seu papel eleitoral colocam Michelle sob os holofotes. Ao priorizar a pauta de inclusão, ela parece tentar construir uma narrativa de independência política, descolando-se momentaneamente das disputas internas que ameaçam a coesão do seu partido.

Classificação Indicativa: Livre


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