Polícia
Publicado em 11/03/2026, às 15h16 Divulgação/PCRJ José Nilton Jr.
Nesta quarta-feira (11), o vereador do Rio de Janeiro, Salvino Oliveira Barbosa (PSD), ex-secretário municipal da Juventude, foi preso pela Polícia Civil do Rio de Janeiro sob suspeita de ligação com a facção criminosa Comando Vermelho.
As investigações apontam indícios de que o parlamentar teria tentado interferir politicamente em áreas dominadas pelo tráfico de drogas para transformá-las em redutos eleitorais.
De acordo com a apuração policial, o vereador teria negociado diretamente com o traficante Edgar Alves de Andrade, conhecido como “Doca”, para obter autorização para realizar campanha na comunidade da Gardênia Azul, território controlado pela facção.
De acordo com os investigadores, em troca da liberação para fazer campanha na região, o parlamentar teria oferecido benefícios ao grupo criminoso.
Essas vantagens seriam apresentadas como ações públicas voltadas à comunidade local. Entre os casos investigados está a instalação recente de quiosques na região, que teria beneficiado pessoas indicadas por integrantes da facção, sem a realização de processo público transparente.
A prisão ocorreu durante a Operação Contenção Red Legacy, conduzida pela Delegacia de Combate ao Crime Organizado e à Lavagem de Dinheiro da Polícia Civil.
A ação tem como objetivo desarticular a estrutura nacional do Comando Vermelho, apontado pelas autoridades como uma organização criminosa com atuação interestadual e estrutura semelhante à de um cartel.
Até o momento, seis pessoas foram presas durante a operação, incluindo o vereador do Rio de Janeiro.
As investigações também apontaram a participação de pessoas ligadas a Márcio dos Santos Nepomuceno, conhecido como “Marcinho VP”, considerado um dos principais líderes da facção.
Segundo a polícia, Márcia Gama, esposa de Marcinho VP, estaria atuando como intermediária de interesses do grupo fora do sistema penitenciário.
As apurações indicam que o Comando Vermelho mantém uma estrutura hierárquica complexa, com conselhos nacionais e regionais e articulações entre integrantes em diversos estados.
Mesmo após décadas preso, Marcinho VP ainda seria uma figura estratégica dentro do chamado conselho federal permanente da facção.