Polícia
Publicado em 24/09/2026, às 14h04 Anderson Barbosa
Um dos casos mais impactantes de violência contra a mulher no Rio Grande do Norte teve um novo capítulo nesta quinta-feira (24). A Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte (TJRN) julgou o recurso apresentado pela defesa de Igor Eduardo Pereira Cabral e indeferiu o pedido de anulação do processo. Com a decisão, fica mantida a pronúncia do acusado e Igor será levado a julgamento pelo Tribunal do Júri, com data ainda indefinida.
"O relator do processo em julgamento nesta quinta-feira (24/9) negou o recurso e esclareceu que o caso exige exame aprofundado da dinâmica fática. Afirmou também que, diante da existência de versões conflitantes e de suporte indiciário suficiente, a controvérsia deve ser submetida ao Tribunal do Júri, juiz natural dos crimes dolosos contra a vida", destacou o TJ.
O recurso era uma das últimas tentativas da defesa para impedir o avanço do processo. Os advogados alegavam uma suposta irregularidade na fase de apresentação das alegações finais e pediam a anulação do procedimento. A 1ª Vara Criminal, entretanto, informou ao TJRN que a assistente de acusação sequer apresentou alegações finais e esclareceu que a defesa teria oportunidade de ratificar ou retificar seus argumentos caso houvesse manifestação.
A decisão desta quinta-feira mantém o entendimento de primeira instância de que Igor deve responder perante o Tribunal do Júri pela acusação de tentativa de feminicídio. Em junho, ao pronunciar o réu, a 1ª Vara Criminal também rejeitou o pedido da defesa para desclassificar a acusação para lesão corporal. O juízo considerou que a dinâmica das agressões, com múltiplos golpes concentrados na cabeça e no rosto da vítima, não permitia afastar, naquela fase, a hipótese de intenção de matar.
O caso, que completou um ano no dia 26 de julho, envolve a promotora de vendas Juliana Garcia dos Santos Soares, brutalmente agredida dentro do elevador de um condomínio na Zona Sul de Natal. As câmeras de segurança registraram o ataque, que durou menos de um minuto e mostrou Igor desferindo 61 socos contra a então namorada.
Preso desde o dia do crime, Igor permanece na Cadeia Pública Dinorá Simas, em Ceará-Mirim. Com o recurso rejeitado pelo TJRN, o processo segue para a próxima etapa: a realização do julgamento pelo Tribunal do Júri. A data da sessão ainda deverá ser definida pela Justiça.
Juliana Garcia dos Santos Soares, de 35 anos, foi espancada por Igor Cabral na tarde do dia 26 de julho de 2025, após uma discussão no elevador do condomínio onde ela morava, na Zona Sul de Natal.
Em menos de um minuto, Juliana leva 61 socos. O vídeo abaixo mostra a violência:
Ao ver as imagens, o porteiro do prédio acionou a Polícia Militar. Quando o elevador chegou ao térreo, Igor Cabral foi contido pelos moradores até a chegada dos policiais.
Juliana foi levada para o Pronto-Socorro Clóvis Sarinho. Na ocasião, ela apresentava fraturas no rosto, deslocamento da mandíbula e perda parcial da visão.
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