Polícia
Publicado em 08/08/2026, às 10h08 Foto: Reprodução Redação
As eleições de 2026 vão colocar novamente em disputa uma série de cargos nos Poderes Executivo e Legislativo. Entre eles estão as 513 vagas da Câmara dos Deputados, ocupadas por representantes eleitos diretamente pela população de cada estado e do Distrito Federal. No Rio Grande do Norte, oito cadeiras estarão em jogo.
Mas, afinal, o que faz um deputado federal? Qual é a diferença entre a atuação desse parlamentar e a de um senador? Como funciona a eleição para a Câmara dos Deputados e por que nem sempre os candidatos mais votados individualmente são eleitos?
A escolha dos deputados federais ocorre pelo sistema proporcional, o que faz com que o resultado dependa não apenas da votação individual dos candidatos, mas também do desempenho dos partidos e das federações partidárias. Por isso, compreender as regras é fundamental para entender como as oito vagas destinadas ao Rio Grande do Norte são preenchidas.
O que faz um deputado federal?
O deputado federal é um representante da população no Congresso Nacional e exerce seu mandato na Câmara dos Deputados, uma das duas Casas do Poder Legislativo federal, ao lado do Senado. A Constituição estabelece como funções centrais dos parlamentares da Câmara a elaboração de leis, a fiscalização do Poder Executivo e a participação na definição do Orçamento da União.
Na prática, o trabalho parlamentar envolve uma série de atividades realizadas tanto no plenário quanto nas comissões permanentes e temporárias da Câmara. Os deputados podem apresentar projetos, discutir propostas, votar matérias de interesse nacional e participar de debates sobre políticas públicas.
Entre as principais atribuições estão:
A Câmara também desempenha papel específico em processos envolvendo o presidente e o vice-presidente da República. Cabe à Casa autorizar, por dois terços de seus integrantes, a instauração de processo contra o presidente, o vice-presidente e ministros de Estado nas hipóteses previstas constitucionalmente. O julgamento do presidente por crime de responsabilidade, porém, é atribuição do Senado Federal.
A atuação de um deputado não se resume à apresentação ou votação de projetos. Uma das funções mais importantes do mandato é acompanhar e fiscalizar a administração pública federal.
Os parlamentares podem solicitar informações a ministérios e outros órgãos públicos, convocar autoridades, participar de audiências e acompanhar a execução de políticas e programas do governo. A Câmara também exerce o controle externo do Poder Executivo com o auxílio do Tribunal de Contas da União (TCU).
As Comissões Parlamentares de Inquérito, conhecidas como CPIs, também fazem parte desse mecanismo de fiscalização. Elas podem ser instaladas para investigar fatos determinados de relevante interesse público, dentro das regras estabelecidas pela Constituição e pelo Regimento Interno da Câmara.
O objetivo é permitir que o Legislativo aprofunde a apuração de acontecimentos que envolvam a administração pública ou outros assuntos de interesse da sociedade.
Outra atribuição de grande impacto na atuação dos deputados federais está relacionada ao Orçamento da União.
Todos os anos, o Congresso Nacional analisa as propostas orçamentárias encaminhadas pelo governo federal. Nesse processo, deputados e senadores podem apresentar emendas para indicar a destinação de recursos para determinadas ações, programas e investimentos.
As emendas parlamentares podem beneficiar estados e municípios e são utilizadas, por exemplo, para direcionar recursos para áreas como saúde, infraestrutura, educação e outros serviços públicos.
É importante destacar, porém, que o deputado federal não é responsável diretamente pela execução de uma obra pública. A função do parlamentar é atuar na legislação, fiscalização e destinação orçamentária. A execução das obras e dos serviços cabe aos órgãos responsáveis do Poder Executivo.
A eleição para deputado federal segue o sistema proporcional. Diferentemente da disputa para presidente, governador e senador, em que o eleitor escolhe diretamente quem ocupará a vaga a partir da votação majoritária, na eleição proporcional o resultado considera também o desempenho dos partidos e das federações.
Isso significa que a quantidade de cadeiras conquistadas por cada partido ou federação está relacionada ao número de votos obtidos pela legenda e por seus candidatos, seguindo os critérios estabelecidos pela legislação eleitoral.
Por esse motivo, um candidato pode receber uma votação expressiva e ainda assim não ser eleito, enquanto outro, com votação individual menor, pode conquistar uma cadeira dependendo do desempenho de sua legenda ou federação.
O eleitor pode votar diretamente no candidato ou optar pelo voto de legenda. Na urna eletrônica, a votação para deputado federal aparece como a primeira escolha do eleitor nas eleições gerais de 2026.
A Câmara dos Deputados é formada por 513 parlamentares. A Constituição determina que cada unidade da Federação tenha no mínimo oito e no máximo 70 representantes, com a distribuição das vagas relacionada à população.
Para as eleições de 2026, está mantida a atual distribuição de cadeiras entre os estados e o Distrito Federal. O Rio Grande do Norte continuará elegendo oito deputados federais.
Em outubro, o eleitor potiguar terá, portanto, uma escolha para preencher cada uma dessas oito vagas, dentro do sistema proporcional.
A legislação eleitoral estabelece uma série de condições de elegibilidade para quem pretende disputar um cargo público.
No caso da Câmara dos Deputados, entre os requisitos estão a nacionalidade brasileira, o pleno exercício dos direitos políticos, o alistamento eleitoral, o domicílio eleitoral na circunscrição em que o candidato pretende concorrer e a filiação partidária. Também é necessário cumprir as demais exigências previstas na legislação eleitoral.
A idade mínima para disputar o cargo de deputado federal é de 21 anos. Para as eleições de 2026, essa é também a idade mínima estabelecida para deputados estaduais e distritais.
Além das condições de elegibilidade, existem situações que podem impedir uma candidatura, incluindo hipóteses previstas na Lei da Ficha Limpa e outras causas de inelegibilidade definidas pela legislação.
O mandato de deputado federal tem duração de quatro anos. Ao final de cada legislatura, os parlamentares podem disputar novamente uma vaga e, caso sejam eleitos, permanecer na Câmara por novos períodos.
Não existe limite constitucional de mandatos consecutivos para deputado federal. Dessa forma, um parlamentar pode concorrer sucessivamente ao cargo, desde que cumpra as condições legais e seja novamente eleito.
Durante o exercício do mandato, os deputados recebem subsídio e contam com estruturas e recursos destinados ao desempenho da atividade parlamentar, conforme as regras estabelecidas pela própria Câmara dos Deputados.
No Rio Grande do Norte, a eleição para deputado federal deverá concentrar uma disputa interna intensa entre partidos e federações que buscam ocupar as oito cadeiras destinadas ao estado.
O cenário de 2026 reúne parlamentares que tentarão a reeleição, ex-deputados, deputados estaduais, vereadores e outros nomes com atuação política em diferentes regiões do estado.
A composição das nominatas é especialmente importante nesse tipo de eleição porque, no sistema proporcional, o desempenho coletivo de cada partido ou federação interfere diretamente na quantidade de cadeiras conquistadas.
Pesquisas de intenção de voto realizadas ao longo de 2026 mostram uma disputa pulverizada e um elevado número de eleitores ainda sem definição. Em levantamento Media/O Potengi realizado entre 3 e 8 de julho, por exemplo, 66,25% dos entrevistados não souberam ou não quiseram responder em quem pretendiam votar para deputado federal.
Entre os nomes citados espontaneamente naquele levantamento estavam Nina Souza, Natália Bonavides, Thabatta Pimenta, João Maia, Cabo Deyvison, General Girão, Benes Leocádio, Juninho Saia Rodada, Robinson Faria, Dr. Bernardo, Sargento Gonçalves, Carla Dickson e Fernando Mineiro, entre outros.
A composição atual da bancada potiguar na Câmara é resultado da eleição de 2022 e das mudanças ocorridas posteriormente.
Naquele pleito, o PL conquistou quatro das oito cadeiras inicialmente, com General Girão, Sargento Gonçalves, João Maia e Robinson Faria. O União Brasil elegeu Benes Leocádio e Paulinho Freire, enquanto a Federação Brasil da Esperança conquistou duas vagas, com Natália Bonavides e Fernando Mineiro.
Posteriormente, Paulinho Freire deixou a Câmara para assumir a Prefeitura de Natal, e Carla Dickson passou a ocupar a vaga.
O resultado de 2022 estabeleceu uma configuração bastante concentrada, com o PL conquistando metade das cadeiras disponíveis no estado.
Para 2026, entretanto, a formação das chapas apresenta um cenário diferente, com vários nomes competitivos reunidos dentro das principais legendas e federações.
A Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, reúne nomes que aparecem entre os principais concorrentes à Câmara dos Deputados no estado.
Entre os candidatos estão os atuais deputados federais Natália Bonavides e Fernando Mineiro, que buscam a reeleição.
A chapa também conta com nomes que chegam à disputa a partir de outros espaços da política potiguar, como o deputado estadual Dr. Bernardo Amorim e a vereadora de Natal Thabatta Pimenta, pelo PV.
O grupo parte para a eleição com uma composição que reúne parlamentares com atuação no Congresso, representantes do Legislativo estadual e liderança política na capital.
Nas pesquisas divulgadas ao longo do ano, Natália Bonavides e Thabatta Pimenta aparecem entre os nomes mais lembrados pelos eleitores. Em levantamento realizado em maio, ambas lideraram as citações espontâneas, com 1,1% cada.
O Partido Liberal também apresenta uma chapa numerosa e reúne diferentes perfis políticos na disputa pelas oito vagas.
Entre os nomes estão os atuais deputados federais General Girão, Sargento Gonçalves e Carla Dickson, além de Nina Souza, vereadora de Natal e primeira-dama da capital; Juninho Saia Rodada, ex-prefeito de Caraúbas; e Cabo Deyvison, vereador de Mossoró.
A composição coloca dentro da mesma chapa nomes com bases eleitorais concentradas em Natal, Mossoró e outras regiões do estado.
O desempenho individual de cada candidato, entretanto, precisa ser analisado dentro da lógica do sistema proporcional. A votação de cada nome contribui para o desempenho eleitoral da legenda, que disputará as vagas de acordo com as regras de distribuição das cadeiras.
Em levantamento Media/O Potengi divulgado em julho, Nina Souza apareceu com 3,05% das citações espontâneas, enquanto Cabo Deyvison teve 1,75%, General Girão 1,70%, Juninho Saia Rodada 1,45%, Sargento Gonçalves 1,40% e Carla Dickson 1,40%.
Outra força importante na disputa é a Federação União Progressista, formada por União Brasil e Progressistas.
O grupo reúne os atuais deputados João Maia, Robinson Faria e Benes Leocádio, nomes que já possuem trajetória eleitoral e experiência no Congresso Nacional.
A composição da chapa também coloca frente a frente parlamentares que já ocupam cadeiras na Câmara e que buscam permanecer em Brasília a partir de 2027.
Em pesquisas divulgadas durante 2026, os três aparecem entre os nomes lembrados pelos eleitores. No levantamento Media/O Potengi de julho, João Maia registrou 1,95% das citações espontâneas, Benes Leocádio 1,55% e Robinson Faria 1,45%.
A disputa pelas oito cadeiras não será determinada apenas pela votação dos candidatos individualmente. Como a eleição para deputado federal é proporcional, o desempenho das legendas e federações terá papel decisivo na distribuição das vagas.
Por isso, a composição das nominatas pode ser um dos principais elementos da disputa. Partidos que reúnem vários candidatos competitivos podem alcançar uma votação total suficiente para conquistar mais de uma cadeira, enquanto chapas com menor desempenho coletivo podem ficar sem representação, mesmo que um de seus candidatos obtenha uma votação relevante.
O cenário também pode mudar até o dia da votação, à medida que as campanhas avancem, os candidatos ampliem suas bases eleitorais e os eleitores definam suas escolhas.
No Rio Grande do Norte, a disputa promete ser marcada justamente pela concentração de nomes conhecidos em algumas das principais chapas e pela necessidade de cada grupo atingir votação suficiente para transformar o desempenho eleitoral em cadeiras na Câmara.
O primeiro turno das Eleições Gerais de 2026 será realizado em 4 de outubro. Na mesma data, os eleitores escolherão presidente da República, governador, dois senadores, deputado federal e deputado estadual ou distrital, conforme o estado.
No caso do Rio Grande do Norte, a sequência de votação será: deputado federal, deputado estadual, senador — primeira vaga —, senador — segunda vaga —, governador e presidente.
Para deputado federal, o eleitor deverá escolher um candidato ou, se preferir, votar na legenda. O resultado final das oito vagas será definido a partir da aplicação das regras do sistema proporcional.
Assim, mais do que conhecer os nomes que aparecem na disputa, compreender o que faz um deputado federal e como funciona a eleição é fundamental para que o eleitor entenda o peso do voto e acompanhe de forma mais consciente a formação da próxima bancada potiguar na Câmara dos Deputados.
Confira candidaturas à Câmara dos Deputados das nominatas mais competitivas:
FEDERAÇÃO BRASIL DA ESPERANÇA
Silvério Filho (PCdoB)
FEDERAÇÃO UNIÃO PROGRESSISTA
Nágila Diniz (União Brasil)
PARTIDO LIBERAL (PL)