Polícia
Publicado em 24/07/2026, às 08h48 Reprodução internet Redação
O Rio Grande do Norte foi o estado brasileiro que apresentou o maior crescimento proporcional no número de Mortes Violentas Intencionais (MVI) em 2025.
Os dados são do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026, divulgado nesta quinta-feira (23) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).
De acordo com o levantamento, o estado passou de 840 vítimas em 2024 para 1.007 em 2025, um aumento de 19,6%.
Com isso, a taxa de mortes violentas saltou de 24,4 para 29,1 casos por 100 mil habitantes, colocando o RN na contramão da tendência observada no restante do país.
Brasil registra queda, enquanto RN lidera crescimento
Enquanto o Rio Grande do Norte apresentou a maior alta proporcional entre todas as unidades da federação, o Brasil registrou redução nos indicadores de violência letal.
Segundo o anuário, o país contabilizou 40.775 Mortes Violentas Intencionais em 2025, contra 44.220 no ano anterior, uma queda de 8,2%. A taxa nacional também recuou, passando de 20,8 para 19,1 mortes por 100 mil habitantes.
O indicador reúne quatro tipos de ocorrência:
→ homicídio doloso;
→ latrocínio;
→ lesão corporal seguida de morte;
→ mortes decorrentes de intervenção policial.
Apenas sete estados tiveram aumento
O levantamento mostra que somente sete unidades da federação registraram crescimento nas Mortes Violentas Intencionais entre 2024 e 2025.
Confira os estados:
Entre todos, o Rio Grande do Norte apresentou a maior variação percentual.
Homicídios impulsionaram aumento no estado
Segundo a análise do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o avanço das Mortes Violentas Intencionais no RN foi provocado principalmente pelo crescimento dos homicídios dolosos.
O número de vítimas desse tipo de crime passou de 655 em 2024 para 843 em 2025, um acréscimo de 188 ocorrências, equivalente a uma alta de aproximadamente 28,7%.
Apesar da elevação registrada no último ano, o próprio anuário ressalta que a taxa de mortes violentas observada em 2025 continua inferior à registrada em todos os anos compreendidos entre 2013 e 2023.
Brasil antecipa meta nacional
No cenário nacional, o estudo aponta que a redução da violência letal iniciada em 2018 foi mantida.
Em 2025, o Brasil registrou 32.914 homicídios dolosos, frente aos 36.440 contabilizados em 2024, uma redução de 10%. A taxa nacional ficou em 15,4 homicídios por 100 mil habitantes.
Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o resultado permitiu ao país atingir com dois anos de antecedência a meta prevista pela Política Nacional de Segurança Pública e Defesa Social, que estabelecia uma taxa de 16 homicídios por 100 mil habitantes até 2027.
Sesed atribui resultado a oscilações e destaca redução desde 2018
Em nota, a Secretaria de Estado da Segurança Pública e da Defesa Social (Sesed) afirmou que os dados de 2025 precisam ser analisados dentro de um contexto histórico mais amplo.
Segundo a pasta, embora o anuário tenha registrado aumento entre 2024 e 2025, o Rio Grande do Norte reduziu em 51% o número de mortes violentas desde 2018.
De acordo com a secretaria, o estado passou de 1.788 casos registrados em 2018 para 873 em 2025, resultado que coloca o RN entre as unidades da federação que mais reduziram a violência letal nos últimos anos.
A Sesed também destacou que, atualmente, nenhum município potiguar integra a lista das dez cidades mais violentas do Brasil.
Governo aponta investimentos e atuação contra facções
Na manifestação oficial, a secretaria atribuiu a redução acumulada dos índices a uma série de ações adotadas pelo Governo do Estado.
Entre elas estão:
ampliação do efetivo policial;
investimentos em tecnologia;
fortalecimento da inteligência policial;
integração das forças de segurança;
operações permanentes de combate às organizações criminosas;
reforço das ações de investigação e repressão qualificada.
A pasta também lembrou que, segundo o Atlas da Violência, o Rio Grande do Norte registrou uma das maiores reduções de mortes violentas do país entre 2023 e 2024, com queda de 20,3%.
Por fim, a secretaria ressaltou que os indicadores criminais sofrem influência de diferentes fatores, incluindo disputas entre facções criminosas, e reafirmou o compromisso com a transparência na divulgação dos dados e com a adoção de medidas voltadas à redução da violência.