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Polícia

R$ 6,6 milhões para visitas íntimas em presídios do RN? Governo se pronuncia e descarta obras

A Secretaria de Administração Penitenciária do RN afirma que não haverá construção de unidades para visitas íntimas, apesar de previsão orçamentária  |  Seap / Divulgação

Publicado em 14/10/2026, às 19h34   Seap / Divulgação   Jussier Lucas

A Secretaria de Estado da Administração Penitenciária (Seap) do Rio Grande do Norte afirmou que não haverá construção de unidades prisionais com estrutura destinada a visitas conjugais no âmbito das ações previstas pela atual gestão. A declaração contrasta com documentos do Plano Pena Justa que previam R$ 6,6 milhões para a implantação de 220 suítes destinadas a visitas íntimas no sistema penitenciário estadual.

O planejamento previa a instalação de 22 módulos, cada um com dez suítes, entre 2026 e 2028. O custo estimado era de R$ 300 mil por módulo, conforme relatórios orçamentários elaborados pela secretaria.

Em nota, a Seap afirmou que a menção à possibilidade no relatório do Plano Pena Justa não representa uma decisão do governo estadual nem estabelece compromisso de execução. A secretaria também ressaltou que a implantação desse tipo de estrutura não é prioridade na construção de novas unidades prisionais.

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Os valores previstos nos documentos são estimativas de planejamento e não comprovam que as obras tenham sido contratadas ou que os recursos necessários estejam integralmente disponíveis.

Um relatório orçamentário de dezembro de 2025 estimou em R$ 6,6 milhões o custo total dos 22 módulos. O documento também registrou R$ 980 mil em recursos disponibilizados para essa finalidade, vinculados a convênios e repasses. Para 2027, outro relatório projetou R$ 2,2 milhões para as instalações.

A proposta tinha como meta regulamentar e implementar as visitas conjugais nos estabelecimentos prisionais do estado, observando critérios de segurança, dignidade e direitos das pessoas privadas de liberdade. Os documentos não detalhavam o projeto arquitetônico, a distribuição das suítes por unidade prisional nem um cronograma de execução das obras.

A regulamentação das visitas íntimas também é alvo de discussão jurídica. Em julho de 2025, o Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) recomendou que a Seap não instituísse a modalidade por ato administrativo próprio, sob o argumento de que seria necessária uma lei estadual específica.

O planejamento integra o Plano Pena Justa, elaborado no contexto das medidas nacionais para enfrentar problemas estruturais do sistema prisional brasileiro. A nota da Seap, porém, não detalha eventuais mudanças nas demais ações previstas no plano estadual.

Confira a nota da Seap na íntegra:

“A Secretaria de Estado da Administração Penitenciária (SEAP) esclarece que não haverá construção de unidade prisional com estrutura destinada à visita conjugal no âmbito das ações previstas pela atual gestão.

A menção a essa possibilidade no relatório elaborado no âmbito do Plano Pena Justa não representa uma decisão de governo nem estabelece compromisso de execução. A SEAP reafirma que a construção de novas unidades prisionais não tem como prioridade a implantação desse tipo de infraestrutura.”

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