Polícia
Publicado em 23/05/2026, às 18h30 Foto: reprodução Ranyere Fonseca
Uma reviravolta nas investigações contra o crime organizado chocou o país neste sábado (23). A Polícia Civil de São Paulo localizou e apreendeu, durante o cumprimento de mandados da Operação Vérnix, uma máquina de contar cédulas e uma caixa contendo aproximadamente R$ 50 mil em dinheiro vivo com uma inscrição explícita: o nome “Dra Deolane”. O flagrante ocorreu na residência de Everton de Souza, o “Player”, apontado pelas autoridades como o principal operador financeiro do Primeiro Comando da Capital (PCC).
"Player" foi preso em flagrante durante a ação e, de acordo com o inquérito policial, exercia um papel central na movimentação e ocultação dos recursos financeiros pertencentes aos irmãos Camacho, incluindo o líder máximo da facção, Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola. A influenciadora digital e advogada Deolane Bezerra também foi presa sob a acusação de integrar o organograma criminoso e acabou transferida para a Penitenciária de Tupi Paulista. A defesa dela nega veementemente as acusações e alega inocência.
As investigações que culminaram no desmantelamento do esquema começaram de forma minuciosa, após policiais penais interceptarem e analisarem manuscritos e bilhetes que haviam sido descartados na rede de esgoto da Penitenciária 2 de Presidente Venceslau, unidade que abriga a cúpula da facção. A partir dali, a quebra de sigilo e a extração de dados de telefones celulares revelaram mensagens onde "Player" orientava de forma direta a distribuição de grandes somas para contas bancárias ligadas à advogada.
Os delegados responsáveis pelo caso detalharam que uma empresa transportadora de fachada, sediada no interior de São Paulo, era usada como o duto inicial para escoar e camuflar o dinheiro oriundo do tráfico de drogas. Na outra ponta do esquema, Deolane Bezerra supostamente controlava uma rede complexa de empresas que estavam registradas de forma fraudulenta em um mesmo endereço residencial, também no interior paulista.
Para a Polícia Civil, os indícios materiais colhidos até o momento são robustos e demonstram que a influenciadora digital atuava ativamente na estrutura financeira da organização, emprestando suas contas e firmas para integrar o capital ilícito ao sistema bancário formal.