Polícia
Publicado em 13/11/2025, às 09h16 BNews Natal
Alessandro Stefanutto, ex-presidente do INSS, foi preso pela Polícia Federal na manhã desta quinta-feira (13/11), na nova fase da Operação Sem Desconto, que mira esquema de fraudes no instituto revelado pelo Metrópoles.
Além da prisão de Stefanutto, a PF cumpriu mandados de busca e apreensão contra o deputado federal Euclydes Pettersen (Republicanos-MG) e o ex-ministro da Previdência José Carlos Oliveira, também conhecido como Ahmed Mohamad. Oliveira, não foi preso, mas a Justiça determinou a instalação de tornozeleira eletrônica nele.
Em nota, a defesa de Stefanutto disse que ainda não teve acesso à decisão que decretou a prisão do ex-presidente do INSS.
Os advogados afirmam que a medida é “completamente ilegal”, já que ele não estaria atuando para atrapalhar as investigações. A defesa acrescentou que vai buscar as informações que fundamentaram o decreto para tomar as providências cabíveis.
Operação Sem Desconto
Ao todo, políciais federais e auditores da Controladoria-Geral da União (CGU) cumpriram, nesta quinta-feira, 63 mandados de busca e apreensão, 10 mandados de prisão preventiva e outras medidas cautelares diversas da prisão.
O Rio Grande do Norte esteve entre os estados envolvidos na operação, além Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Sergipe, Tocantins e do Distrito Federal.
No RN o alvo foi Paulo Gabriel Negreiros, tesoureiro da Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca e Aquicultura (CBPA) — entidade investigada na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI).
A CPMI, que apura o desvio de recursos do INSS, vota também nesta quinta-feira (13) dois requerimentos de quebra de sigilo relacionados a Paulo. Os pedidos apontam o homem como peça-chave no esquema de descontos indevidos.
Quem é Stefanutto preso pela PF
O ex presidente do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) Alessandro Stefanutto, preso na manhã desta quinta-feira (13), é filiado ao PDT,. Ele foi indicado, em julho de 2023, para a chefia da autarquia previdenciária pelo ex-ministro da pasta da Previdência Social Carlos Lupi . À época da indicação, ele estava filiado ao PSB, mas migrou para o PDT em janeiro deste ano.
Depois que escândalo do INSS veio à tona, trazido especialmente pós reportagem investigativa do Portal Metrópoles, a Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União (CGU) realizaram uma operação conjunta contra fraudes no INSS. Isso resultou no afastamento do ex-presidente do INSS e depois ele foi demitido da função, em abril deste ano, pela Justiça.
Conforme currículo divulgado no site do INSS, Stefanutto é graduado em Direito pela Universidade Mackenzie e mestre em Gestão e Sistema de Seguridade Social pela Universidade de Alcalá (Espanha).
Antes de ser nomeado presidente do INSS, foi diretor de Orçamento, Finanças e Logística da autarquia.
Também foi procurador-geral federal especializado junto ao INSS, de 2011 a 2017. Antes disso, atuou no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) e foi técnico da Receita Federal.
Ele participou do gabinete de transição do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro para o de Luiz Inácio Lula da Silva como consultor para assuntos de Previdência Social.
Em nota divulgada após a operação Sem Desconto, o PSB, partido ao qual Stefanutto era filiado em julho de 2023, afirmou que a indicação dele para a presidência do INSS não foi feita pelo partido.
"O PSB esclarece que Alessandro Stefanutto, presidente do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), não é indicação do partido", diz a nota da sigla , que registrou, em seu site em 2023, quando Stefanutto assumiu o INSS.
Em uma entrevista coletiva após a explosão do caso, Carlos Lupi confirmou que a nomeação de Stefanutto para a chefia do INSS tinha sido de sua "inteira responsabilidade".