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Polícia

Morte do cão Orelha: crime cruel segue mobilizando a internet

Três adultos foram indiciados por coagir testemunha em investigação sobre a morte do cão comunitário Orelha na Praia Brava, em Florianópolis  |  Reprodução/Redes sociais

Publicado em 27/01/2026, às 19h05   Reprodução/Redes sociais   Jussier Lucas

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A Polícia Civil de Santa Catarina indiciou três adultos suspeitos de coagir testemunha durante a investigação que apura a morte do cão comunitário Orelha, vítima de maus-tratos na Praia Brava, em Florianópolis. O caso ganhou repercussão após a identificação de quatro adolescentes apontados como autores das agressões que levaram à morte do animal.

De acordo com a corporação, os indiciados são pais e um tio dos adolescentes investigados. Dois deles são empresários e o terceiro atua como advogado. A informação foi detalhada durante entrevista coletiva concedida pela Polícia Civil na manhã desta terça-feira (27).

O inquérito aponta que ao menos uma testemunha teria sido intimidada com o objetivo de interferir no andamento das apurações. O crime de coação consiste em ameaçar ou constranger pessoas envolvidas em um processo judicial ou investigativo, como testemunhas, vítimas ou advogados.

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Investigação apura intimidação de testemunha

Segundo a Polícia Civil, a coação teria sido direcionada ao vigilante de um condomínio da região, que possuía uma imagem considerada relevante para o esclarecimento do crime. Por questões de segurança, o trabalhador foi afastado de suas funções. Os delegados informaram que os nomes dos indiciados não foram divulgados.

Ainda conforme a investigação, mais de mil horas de imagens de câmeras de segurança estão sendo analisadas. Somente no inquérito que apura a coação, 22 pessoas foram ouvidas. A Justiça, no entanto, não autorizou a apreensão de aparelhos eletrônicos dos adultos investigados.

A apuração do caso foi dividida em duas frentes. A primeira é um auto de apuração de ato infracional, conduzido pela Delegacia de Atendimento ao Adolescente em Conflito com a Lei (DEACLE), que investiga a participação dos adolescentes. A segunda é o inquérito policial instaurado pela Delegacia de Proteção Animal (DPA), responsável por apurar a conduta dos familiares, concluído na noite de segunda-feira (26).

As agressões contra Orelha ocorreram no dia 4 de janeiro, mas o caso só foi comunicado à Polícia Civil no dia 16 do mesmo mês. Exames periciais confirmaram que o cão foi atingido na cabeça com um objeto contundente. O instrumento utilizado não foi localizado.

Além do ataque que resultou na morte de Orelha, a Polícia Civil apura a tentativa de afogamento de outro cão comunitário, conhecido como Caramelo, na mesma praia. Testemunhas relataram que os adolescentes teriam jogado o animal no mar, e imagens mostram o grupo carregando o cão no local.

Orelha foi encontrado ferido e em estado grave por moradores da região. Ele chegou a ser levado para atendimento veterinário, mas precisou ser submetido à eutanásia no dia 5 de janeiro devido à gravidade dos ferimentos. Considerado mascote da Praia Brava, o cão era conhecido por frequentadores e turistas e vivia sob cuidados da comunidade local.

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