Polícia
Publicado em 29/04/2026, às 09h17 Reprodução/Internet Malu Machado
O Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) denunciou membros da facção Sindicato do Crime e detalhou como uma advogada transmitiu ordens para matar o delegado Luciano Augusto, titular da 85ª DP em João Câmara.
Segundo a denúncia, a profissional utilizava a prerrogativa de visitas prisionais para levar instruções de um líder detido aos comparsas em liberdade. O plano foi motivado pelas constantes operações e apreensões da Polícia Civil na região.
A célula criminosa atuava no tráfico de drogas e controle de territórios em João Câmara e Caiçara do Norte. Com estrutura hierárquica definida, o grupo dividia tarefas entre o comando do tráfico e a execução de rivais.
As provas foram extraídas de celulares apreendidos, que continham diálogos detalhados sobre a organização.
O líder do grupo, José Eduardo Souza de Lima, comandava as ações de dentro de uma unidade prisional. Para que as ordens chegassem aos subordinados, ele utilizava a intermediação da advogada, que repassava mensagens sobre a gestão do tráfico e planos de ataques.
A investigação confirmou que esse suporte era essencial para manter a facção ativa e coordenada.
No planejamento para assassinar o delegado, os criminosos tentaram adquirir fuzis. A ordem reforçada pela advogada era de que a morte da autoridade era prioridade para que as atividades ilícitas voltassem a operar sem interrupções. O grupo acreditava que a eliminação do titular enfraqueceria o combate ao crime organizado no interior potiguar.
As mensagens interceptadas revelaram ainda regras rígidas de segurança digital: os membros deveriam apagar históricos de conversas e utilizar senhas complexas para dificultar o trabalho da inteligência policial.
A denúncia descreve o uso de castigos contra moradores e desafetos que desobedecessem à facção, chamados internamente de “brecamentos”. Fotos encontradas nos aparelhos mostravam armas pesadas, munições e grandes quantidades de drogas.
Durante a operação que desarticulou o grupo, diversos itens foram retirados de circulação. Os denunciados, que já possuíam antecedentes, planejavam expandir a atuação para municípios vizinhos, usando João Câmara como base logística.
Ao MPRN, o delegado Luciano Augusto afirmou que o plano surgiu após o líder da facção sofrer grandes prejuízos financeiros e ver familiares alvos de medidas cautelares.
As forças de segurança tomaram todas as medidas de proteção para mim e minha equipe. Ameaças jamais farão com que deixemos de combater o crime”, declarou.
Após a descoberta do plano, o chefe da facção e seu irmão foram transferidos para o sistema penitenciário federal.