Polícia
Publicado em 21/05/2026, às 07h56 Reprodução/Redes sociais Malu Machado
Na manhã desta quinta-feira (21), uma ação conjunta entre o Ministério Público de São Paulo (MPSP) e a Polícia Civil deflagrou a Operação Vérnix. A ofensiva, que mira um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC), resultou na prisão da advogada e influenciadora digital Deolane Bezerra.
A operação cumpre seis mandados de prisão preventiva, além de ordens de busca, apreensão e bloqueios de bens. Entre os alvos com ordens de prisão emitidas, estão a cúpula da facção e seus parentes:
Deolane Bezerra passou as últimas semanas em Roma, na Itália, e chegou a ter seu nome incluído na lista da Difusão Vermelha da Interpol. No entanto, ela retornou ao Brasil na quarta-feira (20) e foi detida.
Os agentes realizam buscas na residência da influenciadora em Barueri (SP) e em outros endereços ligados a ela. O influenciador digital Giliard Vidal dos Santos (considerado filho de criação de Deolane) e um contador também são alvos das ordens de busca e apreensão.
O coração do esquema criminoso operava por meio da Lado a Lado Transportes (também registrada como Lopes Lemos Transportes), uma transportadora de cargas com sede em Presidente Venceslau (SP).
Controlada pela cúpula do PCC, a empresa era utilizada como fachada para lavar ativos da facção.
A atual Operação Vérnix é o desdobramento final de uma linha investigativa iniciada há sete anos, dividida em três fases originadas por inquéritos policiais sucessivos:
O cruzamento de dados bancários efetuado pelo MPSP e pela Polícia Civil apontou que Deolane Bezerra era beneficiária direta de repasses financeiros vindos do caixa do PCC, camuflados por meio da transportadora Lopes Lemos.
Veja registro da operação na casa da influenciadora:
Para os investigadores, a forte projeção pública de Deolane, suas empresas formais e sua movimentação de patrimônio de alto padrão eram utilizadas propositalmente como camadas de aparente legalidade para ocultar a origem ilícita do dinheiro.
As transações suspeitas mapeadas pelas autoridades dividem-se em dois principais mecanismos:
A polícia apontou que as contas de débito de Deolane e de suas firmas não registraram nenhum tipo de pagamento ou contraprestação a esses supostos créditos recebidos.
Além disso, a quebra de sigilo não identificou nenhuma prestação de serviço advocatício que justificasse os montantes recebidos, o que configurou forte indício de ocultação e dissimulação de recursos.
Diante da gravidade dos fatos, a Justiça de São Paulo determinou o confisco imediato de bens e valores do grupo investigado:
→ R$ 357,5 milhões em bloqueios de ativos financeiros gerais;
→ Bloqueio de 39 veículos de luxo, avaliados em mais de R$ 8 milhões;
→ Bloqueio específico de R$ 27 milhões em nome de Deolane Bezerra, montante cuja origem legal não foi comprovada pela investigada.
Ao decretar as prisões preventivas, o magistrado responsável destacou que os investigados demonstravam capacidade de continuar operando a engrenagem criminosa mesmo de dentro dos presídios, gerando risco iminente de destruição de provas e embaraço às investigações.
O Judiciário concluiu que medidas cautelares alternativas seriam ineficazes diante da sofisticação e ao alto risco de fuga e ocultação de patrimônio internacional do grupo.