Polícia
Publicado em 18/10/2026, às 06h00 Marcelino Neto Anderson Barbosa
Nove anos atrás, exatamente em outubro de 2017, o Rio Grande do Norte atingia uma marca inédita e alarmante na história da segurança pública: o registro do assassinato de número 2.000. Ao fim daquele ano, o cenário se tornaria ainda mais grave, totalizando 2.272 Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLIs).
Os dados, revelados ao BNews RN pela Coordenadoria de Informações Estatísticas e Análises Criminais (COINE) da Secretaria da Segurança Pública e da Defesa Social (SESED), representam o maior número de mortes violentas de toda a série histórica.
A gravidade daquele período fica ainda mais evidente diante de outro dado perturbador: em 2017, o Rio Grande do Norte registrou, em média, mais de seis mortes violentas por dia — o equivalente a aproximadamente uma vida ceifada a cada quatro horas.
Os números também mostram a escalada da violência ao longo da década. Em 2011, primeiro ano da série histórica, o Estado havia registrado 1.078 ocorrências. Em 2013, foram 1.632; em 2014, 1.704. Depois de uma queda para 1.595 em 2015, os registros voltaram a subir, chegando a 1.923 em 2016, até atingir o recorde de 2.272 assassinatos em 2017. Grave. Muito grave mesmo.
O RN atingiu a marca histórica de 2 mil assassinatos em 22 de outubro de 2017. Era um domingo. Para os cristãos, o domingo simboliza o dia em que Jesus Cristo ressuscitou, marcando uma nova criação e a vitória sobre a morte. Triste ironia.
Naquele domingo, dia 22 de outubro de 2017, nove pessoas foram mortas no Rio Grande do Norte. Nove, em 24 horas. Entre eles estava Antônio Carlos da Silva, assassinado a tiros no município de Tangará, que, além de vítima da violência, também se tornava um número, uma estatística. Foi ele o morto de número 2.000 — número que escancarou a gravidade da crise na segurança pública potiguar naquele momento.
De acordo com os dados consolidados pelo setor de estatística da COINE, dos nove que tombaram seis eram homens e três mulheres. E entre os assassinatos registrados naquele dia, seis foram classificados como homicídios dolosos, dois como lesões corporais seguidas de morte e um como feminicídio. Oito vítimas foram mortas por arma de fogo e uma por arma branca.
Os assassinatos ocorreram em seis municípios potiguares: Três em são Gonçalo do Amarante, dois em Ceará-Mirim; além de Natal, Janduís, Monte Alegre e Tangará, com uma vítima cada.
Os nove mortos foram identificadas como:
A dimensão da mudança também pode ser observada na média diária de assassinatos. Em 2017, ano do recorde histórico, o Rio Grande do Norte registrou 2.272 CVLIs, o equivalente a 6,22 ocorrências por dia. Em 2025, quando foram registrados 870 casos, a média caiu para 2,38 mortes por dia.
O resultado representa uma redução de aproximadamente 61,7% na média diária em comparação com o ano mais violento da série. Em 2024, o indicador foi ainda menor: com 747 CVLIs ao longo dos 366 dias do ano, a média ficou em 2,04 mortes por dia.
Na prática, o estado passou de uma média superior a seis mortes violentas diárias, em 2017, para aproximadamente duas por dia em 2024. Embora os números tenham voltado a subir em 2025, o patamar permaneceu significativamente inferior ao registrado no ano recordista.
A partir de 2018, a série histórica passou a apresentar números inferiores ao pico de 2017. Naquele ano, foram contabilizados 1.788 CVLIs. Em 2019, o total caiu para 1.285, mas voltou a subir em 2020, quando foram registradas 1.356 ocorrências.
Nos anos seguintes, o indicador voltou a recuar: 1.156 em 2021, 1.116 em 2022, 948 em 2023 e 747 em 2024. Em 2025, o gráfico da COINE/SESED aponta 870 registros, número superior ao do ano anterior, mas ainda distante do recorde histórico.
A comparação entre os 2.272 CVLIs de 2017 e os 870 de 2025 representa uma redução de aproximadamente 61,7%. Em números absolutos, são 1.402 ocorrências a menos na comparação entre os dois anos.
A comparação entre os períodos de 2011 a 2018 e de 2019 a 2025 revela uma diferença expressiva nos registros de mortes violentas no Rio Grande do Norte. Nos oito anos do primeiro intervalo (gestões anteriores à atual), foram contabilizados 13.194 assassinatos. Já nos sete anos completos deste segundo período, o total foi de 7.478 ocorrências.
A diferença é de 5.716 mortes violentas a menos, uma redução de aproximadamente 43,3% no total acumulado, mesmo considerando que este segundo intervalo ainda tem um ano incompleto na comparação.
A marca alcançada em 22 de outubro de 2017 permanece como referência para compreender a evolução da violência letal no Rio Grande do Norte. O registro da morte de número 2.000 antes mesmo do encerramento do calendário evidenciou a dimensão do problema naquele período.
A redução observada nos anos posteriores representa uma mudança expressiva em relação ao cenário de 2017.
"Políticas mais eficientes de prevenção, investimentos em tecnologia e equipamentos de ponta, armamentos, viaturas, melhores condições de trabalho, valorização profissional, infraestrutura, mais capacidade de investigação, integração entre as forças de segurança, além de outros fatores que influenciam na dinâmica, podem explicar o avanço na segurança pública do Rio Grande do Norte".
As declarações acima são do secretário de Estado da Segurança Pública e da Defesa Social, coronel Francisco Araújo, que está à frente da SESED desde 2019.
Coordenador da COINE, Gleidson Paulino também falou do trabalho realizado nos últimos anos. Ele ressaltou que a consolidação das estatísticas referentes aos Crimes Violentos Letais intencionais no Rio Grande do Norte, ocorre a partir do cruzamento das informações prestadas por diferentes fontes, especialmente da Polícia Científica, responsável pela identificação dos corpos e pela análise pericial, e da Polícia Civil, que conduz as investigações e realiza a tipificação dos casos.
"Esse trabalho também conta com o monitoramento e o acompanhamento do Ministério Público Estadual. Todo o processo segue os critérios nacionais estabelecidos pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, garantindo maior consistência e confiabilidade aos dados", destaca.
"Dessa forma, a tendência de queda das mortes violentas registrada nos últimos anos no estado é sustentada por uma metodologia de apuração e acompanhamento contínuo".
"Esse avanço reflete o esforço integrado das forças de segurança e das ações de controle do sistema penitenciário. Mais do que números e estatísticas, essa redução representa vidas preservadas, famílias que mantêm seus entes queridos por perto e comunidades com mais oportunidades de viver em paz", acrescentou.
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