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Polícia

Grupo ligado a facção usava haras no RN, cavalos de raça e shows de forró para lavar dinheiro do tráfico; vídeo impressiona

Operação da Polícia Civil investiga esquema de lavagem de dinheiro envolvendo haras, shows e tráfico de drogas no Rio Grande do Norte  |  Internet

Publicado em 28/09/2026, às 12h03   Internet   Redação

Uma movimentação financeira de aproximadamente R$ 150 milhões em dois anos levou a Polícia Civil da Paraíba a investigar uma estrutura que teria utilizado negócios com cavalos de raça, realização de shows e empresas para ocultar dinheiro supostamente obtido com o tráfico de drogas. Parte desse esquema teria passado por um haras localizado no Rio Grande do Norte.

O caso foi revelado pelo Fantástico neste domingo (27) e envolve integrantes de um grupo apontado pela polícia como ligado à facção Nova Okáida. A investigação reúne suspeitas de lavagem de dinheiro, tráfico de drogas, comércio ilegal de armas e organização criminosa.

Um dos nomes investigados é Yago Cavalcanti, que já foi candidato a vereador em Campina Grande. Segundo a Polícia Civil, ele mantinha um haras no Rio Grande do Norte e chegou a reunir 15 animais da raça Quarto de Milha.

A suspeita é de que o comércio de cavalos tenha servido como uma das formas utilizadas para movimentar recursos de origem ilícita. Os investigadores identificaram animais adquiridos em leilões por valores considerados inflacionados.

Entre as transações analisadas está a compra de quatro cavalos provenientes do haras do cantor Wesley Safadão. Conforme a investigação, os animais teriam sido adquiridos por aproximadamente R$ 1 milhão.

O nome do artista, entretanto, não aparece como investigado no caso. A assessoria de Wesley Safadão afirmou que os arremates são realizados por meio da empresa responsável pelos leilões e que não houve contato direto do cantor com os compradores.

Entre as transações analisadas está a compra de quatro cavalos provenientes do haras do cantor Wesley Safadão. Conforme a investigação, os animais teriam sido adquiridos por aproximadamente R$ 1 milhão.

Leilões e mercado de animais fazem parte da apuração

A utilização de animais de alto valor chamou atenção dos investigadores porque o mercado de cavalos de raça envolve transações que podem alcançar cifras elevadas, inclusive em leilões virtuais.

De acordo com a polícia, algumas operações realizadas pelo grupo teriam valores incompatíveis com os padrões esperados, o que levantou a suspeita de que os negócios pudessem ser utilizados para dar aparência lícita a recursos provenientes de atividades criminosas.

A investigação não se restringe, porém, ao patrimônio relacionado aos cavalos. Os policiais também identificaram movimentações no setor de entretenimento.

Contratos de shows também são investigados

Outro braço do suposto esquema estaria relacionado ao agenciamento de artistas de forró. A Polícia Civil identificou uma agência de cantores que, segundo os investigadores, poderia ter sido utilizada para ocultar ou movimentar recursos.

Áudios obtidos durante a investigação registram conversas sobre a busca por contratos de apresentações musicais com prefeituras do Nordeste.

O conteúdo dessas conversas passou a ser analisado pelos investigadores dentro da hipótese de que contratações de shows poderiam integrar o mecanismo utilizado para dar circulação formal a valores de origem suspeita.

Investigação aponta tráfico de drogas e armas

A estrutura financeira investigada teria relação, segundo a polícia, com atividades criminosas mais amplas. O grupo é suspeito de comercializar cocaína, crack e skank, além de negociar armamentos de alto poder de fogo.

Ivan Moura, conhecido como “Mauro Maromba”, é apontado pelos investigadores como uma das figuras centrais da organização. A polícia atribui a ele funções relacionadas ao controle financeiro e à administração de pontos de tráfico em Campina Grande.

Em uma das conversas interceptadas durante a investigação, Ivan teria autorizado a execução de um homem. O conteúdo integra as provas reunidas pela polícia para tentar estabelecer a estrutura e a atuação do grupo.

Empresa movimentou R$ 144 milhões em quatro meses

A dimensão das movimentações financeiras também aparece nas investigações envolvendo Miriam Ferreira, mulher de Ivan Moura, que foi presa durante a operação.

Segundo a Polícia Civil, uma empresa aberta em nome de Miriam registrou movimentação de aproximadamente R$ 144 milhões em apenas quatro meses. O valor chamou a atenção dos investigadores porque contrastaria fortemente com a renda declarada por ela, estimada em R$ 1.412.

Para a polícia, a incompatibilidade entre a renda formal e os valores movimentados representa um dos elementos que sustentam a suspeita de lavagem de dinheiro.

Operação terminou com 13 prisões

Ao todo, 13 suspeitos foram presos durante a operação. Ivan Moura foi localizado em uma situação inusitada: estava escondido dentro do compartimento de uma cama e acabou encontrado com o auxílio de um cão policial.

Além das prisões, a Justiça determinou o bloqueio de até R$ 144 milhões pertencentes aos investigados. A medida busca impedir que os recursos identificados durante a apuração sejam movimentados enquanto o caso segue em investigação.

Os envolvidos podem responder por organização criminosa, tráfico de drogas, comércio ilegal de armas e lavagem de dinheiro. As suspeitas ainda serão submetidas à análise judicial, e a eventual responsabilidade criminal de cada investigado dependerá das provas produzidas no processo.

Classificação Indicativa: Livre


TagsRio grande do norteLavagem de dinheiroTráfico de DrogasWesley Safadão