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Polícia

Golpes preocupam clientes e advogados em Natal e Salvador; "Usaram a OAB de uma amiga falecida"

A fraude ocorre quando criminosos utilizam fotos e nomes de advogados em perfis falsos de aplicativos de mensagens, principalmente no WhatsApp  |  

Publicado em 14/03/2026, às 06h00      Anderson Barbosa

O aumento de casos do chamado “golpe do falso advogado” tem acendido um alerta entre profissionais da advocacia e clientes em diversas regiões do país. A fraude ocorre quando criminosos utilizam fotos e nomes de advogados em perfis falsos de aplicativos de mensagens, principalmente no WhatsApp, para enganar vítimas e solicitar pagamentos indevidos. 

Até o número da OAB de uma advoga falecida já foi utilizado para acessar processos e buscar informações de terceiros.

Com atuação nas cidades de Natal, no Rio Grande do Norte, e Salvador, na Bahia, o advogado Jeoás Santos afirma que o problema tem se tornado recorrente e vem atingindo diversos clientes. Segundo ele, praticamente todas as semanas surgem relatos de abordagens feitas por criminosos que se passam por advogados para convencer clientes a realizar transferências ou compartilhar informações pessoais.

“Aqui no escritório, tanto na Bahia quanto em Natal, a gente já sofre com esse golpe há algum tempo. Praticamente toda semana recebemos notícias de clientes dizendo que foram abordados por esses golpistas”, relatou.

De acordo com o advogado, na abordagem mais recente clientes do escritório em Natal relataram ter recebido mensagens suspeitas, sempre com o mesmo padrão: os criminosos utilizam a foto do advogado em um número de telefone diferente para dar aparência de legitimidade ao contato.

Advogado Jeoás Santos

“Eles abordam com a minha foto, mas com outro número. Isso cria a sensação de que sou eu falando com o cliente”.

Uso de informações reais dos processos

Um dos fatores que tornam o golpe mais convincente é o acesso a informações verídicas dos processos judiciais. Os criminosos costumam enviar documentos reais para as vítimas, o que aumenta a credibilidade da fraude.

“Eles baixam petições do processo, muitas vezes documentos do próprio cliente, e enviam dizendo que houve ganho de causa e que o alvará está liberado para receber o valor”, contou Jeoás.

Em seguida, os golpistas afirmam que a vítima precisa falar com um suposto representante do tribunal ou até mesmo com um desembargador para concluir o procedimento.

Tentativa de acesso ao celular da vítima

Em alguns casos, os criminosos tentam obter acesso remoto ao celular da vítima durante uma ligação.

“Eles dizem que vão fazer uma ligação e pedem para o cliente apertar um botão. Quando o cliente faz isso, acaba autorizando a entrada no aparelho celular. Com isso, o golpista passa a ter acesso às informações do telefone”, relatou o advogado.

Outra estratégia frequente, ainda de acordo com o advogado Jeoás Santos, é a cobrança de uma taxa para liberar o suposto alvará judicial. O valor pedido costuma ser relativamente baixo em comparação ao montante que a vítima acredita que irá receber. “Eles alegam a necessidade de uma taxa para a liberação do alvará. Como o valor é pequeno em relação ao que o cliente supostamente vai receber, muitos acabam fazendo o pagamento por PIX, geralmente para contas difíceis de rastrear”, disse.

Fique atento para o golpe do "falso advogado"

Criminosos usam dados de advogada já falecida

Além das tentativas de fraude, o advogado relata ter identificado um possível acesso irregular a processos no sistema eletrônico da Justiça. Jeoás conta que sempre que surgem relatos de golpe, o escritório verifica o histórico de acessos aos processos para identificar possíveis irregularidades.

“Sempre que ocorrem essas tentativas de golpe, eu entro nos processos — principalmente naqueles em que os clientes disseram que foram abordados — para verificar o acesso de terceiros”, explicou.

Em uma das verificações, o escritório encontrou um registro de acesso que chamou a atenção.

“Em um dos casos apareceu o acesso de uma advogada, a doutora Katia Lobo Nunes, que era uma colega muito próxima e que faleceu em 2023. Como a OAB dela foi cancelada em razão do falecimento, não teria como ela estar acessando processos”, afirmou.

A situação foi comunicada à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) para apuração.

“Levamos o caso à OAB para que sejam tomadas as providências em razão desse acesso, já que se trata de uma inscrição cancelada”, acrescentou.

Em um dos casos apareceu o acesso de uma advogada já falecidaEm um dos casos apareceu o acesso de uma advogada

Comunicação às autoridades e à plataforma

Diante das ocorrências, o escritório afirma ter adotado medidas formais, incluindo o registro de Boletim de Ocorrência e a comunicação às plataformas digitais utilizadas pelos criminosos.

“Nesse último caso, adotamos todas as providências. Informamos a META sobre os números utilizados no WhatsApp para essa abordagem criminosa e também registramos o Boletim de Ocorrência”, disse.

O advogado também critica o que considera uma falha na segurança da plataforma.

“Há também uma negligência por parte da META. Vamos acionar a empresa em relação a essas fraudes que vêm ocorrendo com frequência. Existe uma necessidade urgente de fortalecer a segurança na utilização do aplicativo, que é muito útil hoje em dia, mas que apresenta essas falhas”, afirmou.

Orientação aos clientes

A principal recomendação é que clientes desconfiem de qualquer solicitação de pagamento feita por aplicativos de mensagens, principalmente quando o contato ocorre por número diferente do habitual.

Especialistas também orientam que qualquer suspeita seja confirmada diretamente com o advogado por telefone ou presencialmente, evitando transferências financeiras sem a devida verificação.

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