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Polícia

Família de detento morto em presídio do RN descobre falecimento dois meses após o crime

Detento foi vítima de homicídio, mas corpo permaneceu sem identificação no IML por 57 dias, gerando indignação familiar.  |  Foto: Seap-RN

Publicado em 01/05/2026, às 16h51   Foto: Seap-RN   Ranyere Fonseca

Um caso de grave falha de comunicação no sistema prisional do Rio Grande do Norte veio à tona nesta semana. Familiares de José Leonardo da Silva, de 39 anos, denunciam que só descobriram a morte do detento quase dois meses após o ocorrido. José Leonardo foi morto no dia 3 de março na Cadeia Pública de Nova Cruz, mas a família só obteve a confirmação oficial nesta quinta-feira (30), ao procurar o fórum por conta própria.

De acordo com o atestado de óbito, o preso foi vítima de homicídio após uma briga corporal com outro interno. Durante todo esse período, cerca de 57 dias, o corpo permaneceu no Instituto Médico Legal (IML) da Polícia Científica, em Natal, sem que a família fosse informada.

Peregrinação e choque

A mãe de José Leonardo relatou que, três dias após a morte real do filho (em 6 de março), ela foi até a Penitenciária de Alcaçuz para uma visita. Na ocasião, foi informada apenas de que o filho havia sido transferido para Nova Cruz, sem qualquer menção ao óbito. Sem suspeitar da tragédia, ela retornou para casa, no bairro Felipe Camarão, e aguardou por notícias que nunca chegaram por vias oficiais.

A advogada da família, Rayane Karine, informou que um procedimento investigativo foi instaurado na delegacia de Nova Cruz para apurar as circunstâncias do assassinato e a demora na notificação dos parentes.

O que diz a Polícia Penal

Em nota, a Polícia Penal justificou o silêncio afirmando que o interno não havia registrado contatos de familiares ou advogados em seu prontuário. Segundo a corporação, o único visitante cadastrado possuía um contato inválido e as tentativas de localização não tiveram sucesso. A instituição afirmou ainda que, diante do óbito, o fato foi comunicado imediatamente à Vara de Execução Penal.

A família, no entanto, contesta a justificativa e cobra responsabilização do Estado, questionando como um detento com histórico de visitas e endereço fixo de familiares pôde ser mantido no IML por dois meses como "desconhecido" para o sistema.

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TagsNova cruzInstituto médico legalPenitenciáriaPolícia penal