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Facções impõem terror, queimam ônibus e isolam bairros em Natal; transporte tem horário reduzido na cidade

Ataques de facções criminosas causam queima de ônibus e restrições severas na circulação de transporte coletivo em várias áreas da cidade de Natal  |  Reprodução internet

Publicado em 01/04/2026, às 08h45   Reprodução internet   Dani Oliveira

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A escalada de violência registrada nas últimas horas na Zona Oeste de Natal provocou um colapso parcial no transporte público e deixou moradores reféns do medo.

Ataques atribuídos a facções criminosas resultaram na queima de ônibus, suspensão de linhas e restrições severas de circulação em áreas inteiras da capital potiguar.

Na manhã desta quarta-feira (1º), o Sindicato das Empresas de Transportes Urbanos de Passageiros do Município de Natal (Seturn) informou que todas as linhas de ônibus operam até às 20h — com exceção das regiões diretamente afetadas pelos ataques.

No conjunto Leningrado, localizado no bairro Planalto, o serviço foi totalmente suspenso e ainda não há previsão de retomada.

Transporte suspenso por falta de segurança e ação criminosa

A paralisação não foi motivada por questões operacionais, mas por um cenário crítico de segurança pública.

- Linhas suspensas no conjunto Leningrado
- Circulação reduzida em áreas da Zona Oeste
- Operação limitada até às 20h em toda a cidade
- Sem previsão de retorno do transporte em áreas afetadas

Segundo o Seturn, os ônibus deixaram de circular nas regiões atingidas devido ao risco iminente de novos ataques. Veículos foram incendiados deliberadamente por criminosos, o que levou empresas a recolherem a frota para evitar novos prejuízos e preservar vidas.

O impacto atinge diretamente milhares de usuários que dependem do transporte público para trabalhar, estudar ou acessar serviços básicos.

Sequência de ataques intensifica clima de medo

A noite da terça-feira (31) foi marcada por uma sequência de ações criminosas que ampliaram a sensação de insegurança na cidade.

Dois ônibus foram incendiados em um curto intervalo de tempo. O primeiro ataque ocorreu no conjunto Leningrado. Pouco depois, outro veículo foi alvo entre os bairros Planalto e Cidade Nova.

Testemunhas relataram que criminosos interceptaram os coletivos, ordenaram que passageiros descessem e, em seguida, atearam fogo.

Um dos veículos atacados fazia a linha 40, e o motorista foi retirado antes do incêndio.

Até as 21h, os ônibus estavam completamente destruídos.

Retaliação de facção pode estar por trás dos ataques

De acordo com a Polícia Militar, há indícios de que os atentados estejam ligados à morte de um homem apontado como integrante de facção criminosa.

Ele morreu na segunda-feira (30), durante confronto com policiais da Rocam, no bairro Planalto. Na operação, um fuzil foi apreendido.

A principal linha de investigação aponta para uma possível retaliação por parte do grupo criminoso, identificado como Sindicato do Crime.

Forças de segurança reforçam operação na Zona Oeste

Diante da gravidade da situação, o policiamento foi intensificado na região com atuação de diversas unidades.

- Rocam
- 9º Batalhão da Polícia Militar
- Batalhão Tático
- Batalhão de Choque
- Corpo de Bombeiros

As equipes seguem mobilizadas para conter novos ataques, garantir a segurança da população e identificar os responsáveis pelos crimes.

O Corpo de Bombeiros foi acionado para controlar as chamas nos veículos incendiados, enquanto áreas inteiras foram isoladas preventivamente.

Até o momento, não há registro de feridos.

População vive rotina de medo e incerteza

Moradores da Zona Oeste enfrentam um cenário de tensão, com circulação restrita e orientação para evitar deslocamentos nas áreas mais afetadas.

A suspensão do transporte público agrava ainda mais a situação, impactando diretamente a rotina de trabalhadores, estudantes e famílias inteiras.

O receio de novos ataques permanece, e a Polícia Militar não descarta a possibilidade de novas ações criminosas nos próximos dias.

Cidade sob alerta e com serviços afetados

A crise expõe não apenas a vulnerabilidade da segurança pública em determinadas regiões, mas também o poder de intimidação exercido por facções criminosas, que conseguem interferir diretamente em serviços essenciais.

Enquanto as forças de segurança atuam para restabelecer a ordem, a população segue convivendo com incerteza, prejuízos e medo — em uma cidade onde o transporte público, em algumas áreas, simplesmente deixou de existir temporariamente.


Ataques recentes mostram o crescente aumento da violência em diferentes regiões da cidade

Os episódios registrados na Zona Oeste nesta semana não são casos isolados. Nos últimos dias, Natal já vinha enfrentando uma sequência de ações criminosas com características semelhantes, evidenciando uma escalada preocupante da atuação de facções em diferentes regiões da cidade.

No último domingo (29), bairros da Zona Leste e Sul, como Mãe Luiza e Vila de Ponta Negra, viveram momentos de forte tensão após uma série de ataques iniciados ainda na quinta-feira (26).

Na ocasião, criminosos chegaram a montar barricadas com fogo em vias públicas e a ordenar o retorno de veículos, em uma tentativa explícita de impor controle territorial.

Os ataques foram interpretados pelas forças de segurança como uma reação a operações policiais recentes, incluindo ações voltadas ao enfrentamento direto do crime organizado em áreas estratégicas da capital.

Assim como ocorre agora na Zona Oeste, os reflexos foram imediatos e atingiram serviços essenciais:

- Suspensão de aulas em escolas públicas por falta de segurança
- Alterações e interrupções em linhas de ônibus
- Queima de veículos, incluindo transporte coletivo
- Confrontos e disparos contra forças policiais

Naquele momento, linhas de ônibus deixaram de circular em trechos considerados críticos, e não houve previsão imediata para normalização do serviço — cenário que se repete agora em bairros como o Planalto.

As forças de segurança reforçaram o policiamento e intensificaram operações nas áreas afetadas, sustentando que não haverá recuo diante da pressão criminosa. A estratégia, segundo as autoridades, é impedir o avanço do chamado “poder paralelo”, que tenta determinar a circulação de pessoas e o funcionamento da cidade.

A repetição dos ataques em diferentes regiões, em um curto intervalo de dias, acende um alerta sobre a capacidade de mobilização das facções e amplia a sensação de insegurança entre a população, que segue sendo a principal afetada por um cenário de violência que se espalha pela capital.

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