Polícia
Publicado em 09/12/2025, às 12h11 Operação resultou em prisões e apreensões de documentos e veículos, com foco em desmantelar a organização criminosa. - reprodução Polícia Federal Elí Bernardo
A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta terça-feira (9/12), a Operação CA/CL que investiga um esquema envolvendo múltiplos participantes com padrão estruturado, especializado em crimes financeiros e lavagem de dinheiro.
O grupo criminoso realizava empréstimos e linhas de crédito mediante fraudes, utilizando empresas de fachada ou registradas em nome de terceiros com a intenção de não honrar os valores contratados.
Entre as práticas identificadas, destaca-se o uso de empresas inativas, alterações societárias para inclusão de laranjas, aumento fictício de capital social, apresentação de documentos fiscais ideologicamente falsos, indicação de endereços incompatíveis e utilização de garantias inexistentes.
Também foram constatadas emissões de notas fiscais falsas posteriormente canceladas e a suposta utilização de máquinas pesadas inexistentes como garantia. Algumas empresas chegaram a declarar faturamento de milhões de reais sem possuir qualquer empregado registrado.
Durante a operação, cumprida em Natal e região do Seridó, uma pessoa foi presa preventivamente e outras cinco foram presas de forma temporária. Também foram determinadas medidas de bloqueio de contas bancárias e restrições sobre veículos e imóveis adquiridos com recursos ilícitos ou mantidos em nome de terceiros.
Os investigados poderão responder por crimes financeiros, lavagem de dinheiro e participação em organização criminosa.
Como funcionava o esquema
Segundo as investigações, o grupo contava ainda com a participação de um funcionário de uma financeira federal, responsável por inserir informações falsas em sistemas internos de avaliação de risco, ignorar alertas e aprovar créditos sem a verificação adequada.
O agente atuava para dois núcleos distintos do esquema, cada qual com sua própria estrutura de lavagem de dinheiro.
Depois da liberação ilícita dos valores, as quantias eram distribuídas entre empresas de fachada e contas de pessoas físicas ligadas ao grupo, com aquisição de veículos e imóveis destinados à blindagem patrimonial.
Parte desses bens era registrada em nome de terceiros, e veículos de alto valor eram transportados para outros estados para dificultar ainda mais o rastreamento dos veículos e consequentemente do esquema criminoso.
As apurações também indicaram que o funcionário investigado adquiriu bens incompatíveis com sua capacidade financeira.
Prejuízo Financeiro
Informações apuradas pela Polícia Federal apontaram que ao menos 20 empresas utilizadas entre 2022 e 2025 para a prática reiterada das fraudes, gerando prejuízo estimado em milhões de reais. Há indícios de que outras empresas também tenham sido utilizadas, o que pode ampliar o montante apurado.
Materiais apreendidos
As informações confirmadas ao Bnews Natalsão de que, na manhã de hoje, oito equipes da Polícia Federal cumpriram mandados expedidos pela Justiça Federal. Durante as buscas, foram apreendidos documentos, mídias eletrônicas, veículos, registros contábeis e outros materiais relacionados ao esquema de fraudes e lavagem de dinheiro.
Os itens recolhidos subsidiarão novas etapas da investigação e poderão revelar outros participantes.