As autoridades policiais e de controle estão apurando graves irregularidades em um termo de colaboração firmado entre a Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia (SMIT) da Prefeitura de São Paulo e um instituto privado, representado por Karina Ferreira da Gama.
O contrato, que previa a instalação de internet Wi-Fi em comunidades periféricas da capital paulista, é alvo de investigação por suspeita de fraude, superfaturamento e desvio de dinheiro público para financiar a produção de Dark Horse - filme sobre Jair Bolsonaro.
As investigações apontam que cerca de R$ 26 milhões teriam sido antecipados pela administração municipal sem a devida prestação dos serviços. A principal suspeita é de que esses recursos tenham sido repassados para a produtora Go Up Entertainment Ltda, controlada por Karina, para subsidiar o longa-metragem.
Entenda as principais suspeitas da Polícia
As autoridades identificaram uma série de falhas consideradas graves desde a origem da contratação:
- Falta de capacidade técnica: o chamamento público teve a participação exclusiva do instituto (ICB), uma entidade sem qualquer experiência no setor de telecomunicações e que tinha atuação restrita a feiras de livros e eventos religiosos.
- Superfaturamento: enquanto a Prodam (empresa pública de tecnologia de SP) cobrava R$ 306 pela manutenção mensal de cada ponto de internet, o acordo com o instituto estipulou o pagamento de R$ 1.800 fixos por ponto - valor muito superior aos parâmetros de mercado.
- Metas descumpridas e fraude: a entidade instalou apenas 3.200 dos 5.000 pontos previstos. Para tentar ocultar o atraso, foram celebrados três termos aditivos em um intervalo de poucos dias.
- Pagamentos indevidos: houve a identificação de repasses de dinheiro público relativos a 3.200 pontos quando, na realidade, apenas seis pontos de Wi-Fi estavam funcionando no período verificado.
Prefeitura de São Paulo rebate e nega irregularidades
Em nota oficial, a gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) informou que está colaborando integralmente com as investigações e que todo o material requisitado na manhã desta segunda-feira já foi encaminhado às autoridades. A prefeitura defende que o contrato com o instituto seguiu "rigorosamente os princípios da legalidade, transparência e economicidade".
A administração municipal apresentou os seguintes argumentos:
- Funcionamento atual: o programa de internet funciona normalmente. Dos 3,2 mil pontos contratados, apenas 52 estavam off-line na manhã desta segunda-feira passando por manutenção.
- Sem relação com o filme: o chamamento público ocorreu em 2024, época em que "não havia sequer produção do filme mencionado".
- Valores justificados: a prefeitura nega o pagamento por 5 mil pontos e afirma que, para 2026, o custo estimado na parceria caiu para R$ 1.280,80 por ponto/mês, valor inferior a propostas recebidas em anos anteriores (que passavam de R$ 2 mil e R$ 5 mil).
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