Polícia
Publicado em 02/03/2026, às 20h08 Tânia Rêgo/Agência Brasil Malu Machado
O Brasil registrou um aumento alarmante na violência contra a mulher no último ano. Em 2025, o país contabilizou 6.904 vítimas de feminicídio (entre casos consumados e tentados), um crescimento de 34% em relação a 2024.
Os dados constam no Relatório Anual de Feminicídios no Brasil, elaborado pelo Laboratório de Estudos de Feminicídios da Universidade Estadual de Londrina (Lesfem/UEL).
O levantamento detalha que foram 2.149 assassinatos e 4.755 tentativas, o que resulta em uma média trágica de quase seis (5,89) mulheres mortas por dia no território nacional.
O relatório da UEL identifica um número 38,8% maior do que o divulgado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP). Segundo a pesquisadora do Lesfem, Daiane Bertasso, a diferença ocorre pela subnotificação e pela falta de tipificação correta do crime no registro policial.
Mesmo os nossos dados sendo acima dos dados da segurança pública, a gente acredita que há ainda subnotificação. Porque nem todo o crime de feminicídio é noticiado, divulgado nas mídias. Pelas nossas experiências e pesquisas, a gente acredita que esse registro ainda é inferior à realidade, infelizmente”, explicou Bertasso.
A pesquisadora reforça que a identificação desses crimes exige um olhar técnico que nem sempre está presente nas delegacias: “As pesquisadoras têm um olhar mais acurado para identificar quando é uma tentativa de feminicídio. Já em relação aos registros da segurança pública, nem todos os municípios e estados têm um investimento numa formação específica dos profissionais para identificar esse tipo de crime”.
A análise aponta que 75% dos crimes ocorrem no âmbito íntimo (companheiros ou ex-companheiros) e a maioria das agressões acontece na própria casa (38%). Além disso, o impacto social é devastador: 1.653 crianças ficaram órfãs em decorrência dos feminicídios em 2025.
Para Daiane Bertasso, o feminicídio é o desfecho de um ciclo de abusos que a sociedade muitas vezes ignora devido ao machismo estrutural.
O feminicídio não é um crime inesperado. É um crime que resulta de relações familiares e íntimas. E ele se dá depois de um ciclo de violências de vários tipos”, afirmou a pesquisadora.
Ela acrescenta que a "masculinidade tóxica" têm fortalecido ideais misóginos que influenciam jovens e crianças, contribuindo para a manutenção desse cenário de violência.