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Polícia

Assédio na UFRN: universidade recebeu 185 denúncias em cinco anos; ex-bolsista diz ter sido ignorada

Dados da UFRN revelam 125 casos de assédio moral e 60 de assédio sexual, com aumento significativo nas notificações em cinco anos  |  Reprodução: José Aldeni

Publicado em 17/07/2026, às 08h51   Reprodução: José Aldeni   Redação

A Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) contabilizou 185 denúncias de assédio moral e sexual entre 2021 e 2025. Os dados divulgados pela instituição mostram que 125 registros foram relacionados a assédio moral e outros 60 a assédio sexual, evidenciando um aumento nas notificações ao longo do período.

As informações foram apresentadas pela universidade em resposta a questionamentos sobre os procedimentos adotados para receber, apurar e enfrentar esse tipo de ocorrência.

Segundo a UFRN, todas as denúncias passam por uma análise preliminar antes da adoção de medidas administrativas, e nem todas resultam na abertura de processos disciplinares ou na aplicação de sanções.

No caso do assédio moral, os registros cresceram ano após ano. Foram sete denúncias em 2021, 16 em 2022, 22 em 2023, 30 em 2024 e 47 em 2025. Já as denúncias de assédio sexual somaram duas em 2021, 13 em 2022, 18 em 2023, 15 em 2024 e 12 em 2025.

Universidade reforçou ações de prevenção e acolhimento

De acordo com a UFRN, as manifestações são recebidas principalmente pela Ouvidoria e pela plataforma Fala.BR, podendo ser feitas de forma identificada ou anônima. A instituição orienta, no entanto, que denúncias de assédio sejam identificadas, uma vez que o relato da vítima integra o conjunto de provas utilizado durante a apuração.

Após a análise inicial, cada caso pode seguir diferentes encaminhamentos, como mediação de conflitos, assinatura de Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), abertura de sindicância, Processo Administrativo Disciplinar (PAD), Processo Administrativo Disciplinar Discente (PADD) ou arquivamento, conforme os elementos apresentados.

Entre as denúncias de assédio sexual registradas no período, nove resultaram na abertura de Processos Administrativos Disciplinares e cinco originaram Processos Administrativos Disciplinares Discentes. Também houve uma sindicância envolvendo servidor temporário, uma demissão de funcionário terceirizado, além de encaminhamentos para outros órgãos e para a Diretoria de Segurança Patrimonial.

Nos casos de assédio moral, apenas duas denúncias resultaram em Processos Administrativos Disciplinares. A universidade também registrou um TAC, um PADD, uma mediação, um processo preliminar, um encaminhamento para outro órgão, casos de juntada processual e acompanhamentos organizacionais.

Segundo a instituição, a maior parte dos arquivamentos ocorreu por falta de materialidade, ausência de elementos suficientes para prosseguimento da investigação, duplicidade de registros, inexistência de enquadramento jurídico ou por situações que não eram de competência da universidade.

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Além dos dados estatísticos, um caso recente voltou a colocar o tema em evidência na universidade. Uma ex-bolsista denunciou ter sido vítima de assédio sexual praticado por um servidor durante o período em que atuava na instituição. Segundo ela, o comportamento começou com aproximações constantes e evoluiu para contatos físicos sem consentimento.

De acordo com o relato, o episódio mais grave ocorreu quando o servidor passou a tocá-la de forma inadequada. A ex-bolsista afirmou que se sentia intimidada para denunciar a situação por ocupar uma posição hierarquicamente inferior dentro da universidade.

"Eu me sentia acuada e constrangida porque era apenas uma bolsista diante de um servidor que já estava há muito mais tempo na instituição", relatou.

O processo acabou sendo arquivado por falta de provas. Após a decisão, a ex-bolsista afirmou ter ficado com a sensação de impunidade.

"A sensação é de que casos como esse vão continuar acontecendo na instituição e que a UFRN vai se omitir", declarou.

Em resposta, a Ouvidoria da universidade informou que todas as denúncias passam inicialmente por uma análise preliminar para verificar se existem elementos mínimos que permitam a abertura da investigação. Quando há indícios suficientes, os casos são encaminhados para a Corregedoria ou para a Comissão de Ética, responsáveis pela apuração administrativa.

Segundo a UFRN, desde 2023 foi implantada uma política institucional de enfrentamento ao assédio e às diversas formas de violência, além da criação do Núcleo Acolher, responsável por oferecer suporte e acompanhamento às vítimas. A instituição também afirma ter ampliado ações de prevenção por meio de cursos, campanhas educativas e programas voltados à promoção de um ambiente acadêmico mais seguro.

Após episódios recentes envolvendo estudantes no campus central e nos ônibus circulares, a universidade também reforçou as medidas de segurança. A Diretoria de Segurança Patrimonial realizou o mapeamento de áreas consideradas mais vulneráveis, ampliando o patrulhamento presencial e a vigilância eletrônica em diferentes pontos do campus.

Em nota, a Reitoria destacou que busca fortalecer ambientes acadêmicos livres de violência e citou iniciativas como a Política de Prevenção e Enfrentamento ao Assédio e à Discriminação, o Programa de Enfrentamento ao Assédio e à Discriminação, o Espaço Acolher, as comissões de humanização e o Pacto Institucional em Defesa das Mulheres.

Segundo a gestão, essas ações integram uma estratégia permanente voltada à prevenção, ao acolhimento das vítimas e à responsabilização administrativa quando houver comprovação das denúncias.

Classificação Indicativa: Livre


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