Polícia
Publicado em 24/09/2026, às 08h50 - Atualizado às 09h20 reprodução/ Blog do Barreto ELÍ Bernardo
O candidato ao Governo do Rio Grande do Norte, Allyson Bezerra, volta aos holofotes da mídia local após um vídeo vazado da Polícia Federal ganhar repercussão nesta quarta-feira (23). Material esse que integra as provas da Operação Mederi, investigação que apura supostas irregularidades em contratos da área da saúde durante a gestão de Allyson, então prefeito de Mossoró.
Agora o candidato ao Governo do Estado, nas Eleições 2026, é citado na gravação feita no escritório da DISMED Distribuidora, empresa fornecedora de medicamentos para a Prefeitura de Mossoró.
Nas imagens, é possível ouvir dois sócios da empresa conversando sobre a divisão de valores relacionada a um contrato público.
Durante esse diálogo, um deles apresenta uma operação financeira envolvendo uma ordem de compra de R$ 400 mil e menciona supostos repasses que seriam destinados ao então prefeito e a uma mulher identificada como “Fátima”.
Ao explicar o que um dos sócios chama de “matemática de Mossoró”, o empresário utiliza o valor de R$ 400 mil como exemplo e detalha a distribuição dos recursos:
Como é a matemática de Mossoró: Mossoró tem uma ordem de compra de R$ 400 mil, desses R$ 400, ele entrega R$ 200, tudo a preço de custo. Dos R$ 200, ele pega 30%, então aqui ele comeu R$ 60, fica R$ 140 para ele entregar 100%".
Dos R$ 140 mil reais, "ele ganha R$ 70. R$ 70 com R$ 60, é meu, R$ 130; só que dos R$ 130, nós temos que pagar R$ 100 mil a Allyson e a Fátima. É 10% de Fátima e 15% de Allyson; só ficou R$ 30 mil para a empresa. ‘Tá’ aí o problema. Antigamente, a gente vendia R$ 400, nós ‘estava’ ganhando R$ 200; que é 100%. Dava os R$ 100 de Fátima e ficava os R$ 100 da empresa”, afirmou um dos sócios na gravação.
Segundo as informações do documento da investigação, as imagens foram obtidas por meio de uma escuta ambiental instalada por agentes da Polícia Federal no escritório da DISMED.
O registro do vídeo foi produzido com a finalidade de integrar o conjunto de provas da Operação Mederi.
Um relatório da Polícia Federal identificou os dois homens que aparecem na gravação como os sócios da DISMED Distribuidora Oseas Monthalggan Fernandes Costa e José Moabe Zacarias Soares.
Investigação sobre irregularidades nos contratos da saúde
O material resultante da escuta ambiental realizada na sede da empresa foi incorporado a investigação e faz parte das provas reunidas pela Operação Mederi.
A investigação, da Operação Mederi, deflagrada em janeiro, apura supostas irregularidades em contratos firmados pela Prefeitura de Mossoró na área da saúde durante a gestão municipal de Allyson Bezerra.
A gravação, agora amplamente divulgada na mídia, integra o conjunto de elementos analisados pela Polícia Federal no âmbito da investigação e registra uma conversa entre os sócios da empresa sobre valores relacionados a contratos públicos.
Saques suspeitos da Dismed
Os mais recentes relatórios da Polícia Federal (PF) produzidos no âmbito da Operação Mederi apontam que a Dismed Distribuidora de Medicamentos realizou de forma recorrente saques em espécie de R$ 49 mil, além de retiradas de R$ 3 mil em terminais de autoatendimento.
Ainda segundo a investigação, o padrão foi identificado a partir de dezembro de 2021.
As informações foram apuradas e obtidas pelo jornalista Dinarte Assunção, do Blog do Dina, que teve acesso a relatórios de análise financeira, documentos bancários e relatórios de inteligência financeira utilizados na investigação.