Polícia
Publicado em 28/05/2026, às 12h32 Reprodução/JUIT José Nilton Jr.
A Polícia Civil do Rio Grande do Norte (PCRN) realizou, nesta quinta-feira (28), a operação “Patrocínio Infiel”, que resultou na prisão preventiva de um advogado de 43 anos de idade. Ele é suspeito de estelionato, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro e patrocínio infiel em Natal.
Além da prisão, os policiais cumpriram três mandados de busca e apreensão, incluindo um escritório de advocacia nos bairros Neópolis e Lagoa Nova.
De acordo com a investigação, a vítima contratou o advogado para atuar em uma ação revisional ligada à compra de um imóvel comercial. O suspeito teria informado falsamente que a Justiça havia autorizado o pagamento das parcelas do financiamento por meio de depósitos judiciais vinculados ao processo.
Com isso, o cliente era orientado a transferir mensalmente valores superiores a R$ 11 mil para contas bancárias em nome do advogado e da esposa dele. A Polícia Civil afirma que, entre os anos de 2021 e 2025, a vítima realizou diversas transferências que somaram prejuízo estimado em R$ 500 mil.
Convencida de que o dinheiro estava sendo usado para quitar o financiamento do imóvel, a vítima chegou a vender a própria casa para evitar atrasos nas parcelas.
O esquema fraudulento só foi descoberto no ano passado, quando o antigo proprietário do imóvel entrou na Justiça alegando falta total de pagamento do financiamento.
Após tomar conhecimento da situação, a vítima tentou contato com o advogado, que inicialmente apresentou justificativas e depois deixou de responder mensagens e ligações.
As investigações revelaram que nunca existiu decisão judicial autorizando os depósitos mencionados pelo suspeito. Além disso, o Poder Judiciário também confirmou que nenhum pagamento relacionado ao financiamento foi registrado no processo.
De acordo com a polícia, o advogado manipulava informações e produzia comprovantes falsos para convencer a vítima da suposta regularidade dos pagamentos. Parte do dinheiro desviado teria sido rastreada em contas bancárias do investigado e da esposa dele.
A investigação também aponta que os suspeitos usaram os valores para aquisição de bens e ativos com objetivo de ocultar a origem ilícita do dinheiro.
Durante o cumprimento das medidas judiciais, representantes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) acompanharam as diligências realizadas pela polícia.
O investigado foi encaminhado ao sistema prisional, onde permanecerá à disposição da Justiça.
Segundo a Polícia Civil, o nome da operação faz referência ao artigo 355 do Código Penal, que trata do crime de patrocínio infiel, quando o advogado trai os interesses do próprio cliente.