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Publicado em 30/12/2025, às 20h11 Sandro Menezes - Assecom / RN Jussier Lucas
O Governo do Rio Grande do Norte apresentou proposta para sediar uma nova unidade do Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC), com o objetivo de viabilizar a instalação de um supercomputador de alto desempenho previsto no Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA).
A iniciativa integra a estratégia do Governo Federal para fortalecer a soberania tecnológica e ampliar a capacidade nacional de processamento de dados.
A proposta foi apresentada durante reunião virtual realizada nesta terça-feira (30), que contou com a participação da governadora Fátima Bezerra, da ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, além de equipes técnicas do ministério.
Também participaram os coordenadores do Núcleo de Processamento de Alto Desempenho do Instituto Metrópole Digital da UFRN (NPAD/IMD/UFRN) e representantes da Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado.
O supercomputador é um equipamento de altíssimo desempenho, utilizado por instituições públicas para processar grandes volumes de dados e executar cálculos complexos, sendo essencial para pesquisas científicas, desenvolvimento tecnológico, políticas públicas, inteligência artificial, previsão climática, saúde, energia, defesa e planejamento estratégico.
Área definida e cronograma
A proposta do Governo do Estado será formalizada oficialmente junto ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação no dia 15 de janeiro de 2026. Após estudos técnicos, foi definido o Parque Científico e Tecnológico Augusto Severo (PAX), localizado em Macaíba, como área destinada à instalação do equipamento.
Além do Rio Grande do Norte, apenas a Prefeitura do Rio de Janeiro manifestou interesse em sediar o supercomputador, condicionado ao atendimento de critérios como disponibilidade energética, conectividade e área adequada.
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“Justiça e oportunidade para o Nordeste”
Ao final da reunião, a governadora Fátima Bezerra destacou a importância do protagonismo potiguar na iniciativa.
“Fico muito feliz ao ouvir que o Rio Grande do Norte é o primeiro estado a se posicionar de forma objetiva nessa disputa. Também considero fundamental que o Nordeste seja olhado com atenção especial. Isso não é privilégio, é justiça e reconhecimento do potencial da região”, afirmou.
Um dos principais diferenciais apresentados pelo RN é o baixo custo operacional, especialmente relacionado à energia elétrica.
O estado é um dos maiores produtores de energia renovável do país e possui excedente de geração, o que pode reduzir significativamente os custos de operação do supercomputador.
Segundo o secretário-adjunto de Desenvolvimento Econômico, Hugo Fonseca, o uso de energia 100% limpa permitiria reduzir de quatro a seis vezes o custo energético de um equipamento que demanda entre 10 e 15 megawatts. A economia estimada pode chegar a R$ 600 milhões ao longo de dez anos.
Decisão estratégica nacional
A ministra Luciana Santos ressaltou que a escolha do local será baseada em critérios técnicos e estratégicos.
“A instalação do supercomputador envolve uma decisão de Estado, que passa por critérios técnicos rigorosos e também por uma definição que caberá ao presidente Lula”, afirmou.
A condução do processo está sob responsabilidade de uma comissão formada pelas ministras Luciana Santos (MCTI) e Esther Dweck (Gestão e Inovação em Serviços Públicos), além do ministro Rui Costa (Casa Civil). O grupo coordena a implementação do PBIA e a definição das especificações técnicas do equipamento.
Estrutura de padrão internacional
Com investimento estimado em R$ 1,8 bilhão, o supercomputador deverá figurar entre os dez mais potentes do mundo. A estrutura será fundamental para o avanço da inteligência artificial no Brasil, reduzindo a dependência de plataformas estrangeiras e ampliando a autonomia nacional em processamento de dados em larga escala.
De acordo com o coordenador do NPAD/IMD/UFRN, Samuel Xavier, a proposta não prevê a transferência do LNCC de Petrópolis (RJ), mas a criação de uma segunda unidade.
“A gestão e a administração permaneceriam sob responsabilidade do MCTI, a exemplo do que ocorre com outros institutos nacionais”, explicou.