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Negócios

R$ 570 milhões: com leilão e novas subestações, RN passa a ter forte investimento em energia eólica e solar

RN participa de um leilão que promete injetar bilhões e melhorar a infraestrutura energética do estado  |  Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Publicado em 23/06/2026, às 06h31   Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil   Malu Machado

O Rio Grande do Norte está no centro de importantes movimentações para o fortalecimento do seu sistema de energia elétrica. Nesta sexta-feira (27), ocorre na sede da B3, em São Paulo, o Leilão de Transmissão nº 01/2026, que prevê injetar R$ 570 milhões em investimentos no estado. 

Em paralelo, o Ministério de Minas e Energia (MME) divulgou a 5ª Emissão do Plano de Outorgas de Transmissão de Energia Elétrica (POTEE) ciclo 2025, que projeta novas obras estruturais de longo prazo para interligar o RN ao Ceará e ao Piauí.

No leilão desta sexta, o RN integra o Lote 3 (junto ao Ceará), que soma mais de R$ 1,38 bilhão em investimentos e estimativa de gerar até 3.944 empregos. O foco no território potiguar será a instalação de compensadores síncronos nas subestações de 500 kV de Ceará-Mirim II e Açu III, com prazo de conclusão de 42 meses após a assinatura dos contratos (prevista para junho de 2026).

O alívio contra o "curtailment"

A instalação dos compensadores síncronos visa aumentar a capacidade de escoamento e a estabilidade da rede, algo muito aguardado pelo setor de energias renováveis. 

Atualmente, o estado sofre com o curtailment - o corte de geração determinado pelo Operador Nacional do Sitema Elétrico (ONS) quando há excesso de oferta ou gargalos no escoamento.

Darlan Santos, presidente do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (Cerne), aponta que o certame pode mitigar essas restrições. Sérgio Azevedo, presidente da Comissão Técnica de Energias Renováveis da Fiern (Coere), concorda que os equipamentos melhoram o controle de tensão, mas faz um alerta:

O RN precisa voltar a ser competitivo na atração de investimentos. E isso passa, necessariamente, pela construção de um ambiente regulatório e legal mais moderno, mais previsível, mais eficiente e mais convidativo do que o dos estados vizinhos”, avalia Sérgio.

Plano do MME: conexão com CE, PI e o horizonte até 2032

Olhando para o futuro, o plano do MME (POTEE 2025) inseriu o RN em um projeto de expansão macro que visa interligar o estado às regiões de Pecém (CE) e Parnaíba (PI). O objetivo é criar a infraestrutura necessária para atender grandes cargas eletrointensivas, como os futuros projetos de hidrogênio verde e data centers.

Essa expansão contará com ao menos quatro grandes obras no RN:

Para Williman Oliveira, presidente da Associação Potiguar de Energias Renováveis (APER), a medida traz alívio para a crise do excesso de produção atual, mas o prazo longo preocupa.

"Como quase tudo no país se desenvolve no longo prazo, preocupa o fato de que esses investimentos só serão concluídos a partir de 2030. Até lá, o país vai se desdobrando com o uso de sistemas de armazenamento em baterias (BESS)”, ponderou.

Sérgio Azevedo, da Fiern, acrescenta que o RN precisa agir para reter esses benefícios internamente.

Não basta apenas ampliar a capacidade de transporte de energia ou criar as condições para grandes projetos em estados vizinhos. Precisamos transformar essa disponibilidade em empregos, renda e arrecadação para os potiguares.”

Panorama nacional

O plano federal incorporou um total de 31 novas obras sugeridas pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), espalhadas pelo Brasil. Enquanto no Nordeste o foco são data centers e hidrogênio, no Pará (Norte) as obras visam suprir a carga mineral da região de Ourilândia do Norte. O plano inclui ainda reforços de peso nas redes que abastecem a Grande São Paulo e o estado de Minas Gerais.

Classificação Indicativa: Livre


TagsRio grande do norteEnergias RenováveisMinistério de minas e energiaAssociação potiguar de energias renováveis