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Publicado em 05/09/2026, às 09h00 Reprodução: Magnific Jussier Lucas
A inteligência artificial deixou de ser uma tecnologia restrita a grandes empresas e laboratórios de pesquisa e passou a fazer parte da rotina de profissionais, empreendedores e pequenos negócios. No Rio Grande do Norte, uma das ferramentas que mais chama atenção é o ChatGPT, que pode ser utilizado para produzir conteúdos, analisar informações, organizar tarefas e até ajudar na criação de novos serviços.
Mas afinal: é possível usar o ChatGPT para ganhar dinheiro?
Para Carlos von Sohsten, gestor do IALab do Sebrae/RN, a resposta é sim — mas existe uma diferença fundamental entre utilizar a ferramenta e simplesmente esperar que ela gere renda sozinha.
"É possível sim utilizar o ChatGPT para gerar renda. Mas não é o ChatGPT em si que vai ter essa 'capacidade', mas o que o usuário pode fazer sabendo usar o ChatGPT e todo o potencial que o recurso oferece."
Segundo o especialista, o principal erro está justamente na expectativa de que a inteligência artificial funcione como uma espécie de "botão mágico" capaz de produzir dinheiro automaticamente.
O que pode gerar resultado, explica Carlos, é a combinação entre conhecimento profissional, criatividade, identificação de oportunidades e domínio das ferramentas de inteligência artificial.
"Com criatividade, senso de oportunidade, habilidades de 'engenharia de prompt' é possível ganhar dinheiro com as IAs generativas. E tem muita gente ganhando, inclusive!"
Para quem pretende começar a utilizar o ChatGPT profissionalmente, a primeira pergunta não deveria ser "como ganhar dinheiro com IA?", mas sim qual problema pode ser resolvido com a ajuda da tecnologia.
Essa é uma das principais recomendações do especialista do Sebrae.
Um profissional que já domina determinada área pode utilizar a inteligência artificial para ampliar sua capacidade de trabalho. Um contador, por exemplo, pode automatizar parte de tarefas repetitivas. Um corretor pode produzir anúncios e apresentações. Um profissional de turismo pode criar materiais para diferentes públicos e idiomas.
"O ponto fundamental é perguntar: qual problema eu consigo resolver melhor ou mais rapidamente utilizando IA?"
A lógica também vale para quem pretende transformar o conhecimento em um novo serviço.
O cliente, segundo Carlos, não está interessado em comprar "inteligência artificial". Ele quer um resultado.
"O cliente não compra inteligência artificial. Ele compra resultado: compra mais vendas, economia de tempo, melhor atendimento, melhor comunicação ou redução de custos."
Não existe um único setor que concentre as oportunidades.
Segundo Carlos von Sohsten, praticamente qualquer atividade pode encontrar aplicações para a tecnologia, mas algumas áreas apresentam oportunidades mais imediatas por trabalharem intensamente com informação, comunicação e relacionamento com clientes.
Entre elas estão:
Dados do Sebrae citados pelo especialista mostram que o setor de serviços apresenta uma utilização maior de ferramentas de texto generativo, chegando a 56%, contra 49% no comércio e 39% na indústria.
Para o empreendedor, a oportunidade pode estar justamente em observar tarefas que consomem tempo e testar se parte delas pode ser realizada com auxílio da IA.
Uma das principais mudanças provocadas pela inteligência artificial generativa é a redução da barreira técnica para quem quer começar.
De acordo com Carlos, uma pessoa não precisa saber programar ou ter formação em tecnologia para utilizar o ChatGPT profissionalmente.
Mais importante do que dominar a ferramenta, nesse caso, é conhecer o problema que se pretende resolver.
"Um contador que conhece contabilidade, um corretor que conhece imóveis, um profissional de turismo que conhece seu mercado ou um vendedor que conhece seus clientes possui algo que a IA não substitui facilmente: contexto e experiência."
É justamente essa combinação que pode criar oportunidades.
A inteligência artificial fornece capacidade de processamento e produção, enquanto o profissional oferece conhecimento, experiência, julgamento e compreensão do contexto.
A lista é extensa e cresce conforme novas ferramentas e recursos são desenvolvidos.
Entre os serviços que podem ser estruturados com auxílio de inteligência artificial estão:
Em um nível mais avançado, também é possível trabalhar com implantação de assistentes virtuais, automação de atendimento, organização de bases de conhecimento e criação de fluxos automatizados.
Mas Carlos reforça que simplesmente saber utilizar a ferramenta não é suficiente para criar um negócio sustentável.
O diferencial está no problema que o profissional consegue solucionar.
Para quem nunca utilizou inteligência artificial profissionalmente, a recomendação é não tentar automatizar tudo de uma vez.
Carlos sugere começar identificando três ou quatro atividades repetitivas que consomem tempo durante o trabalho e escolher apenas uma para fazer o primeiro teste.
Pode ser responder clientes, elaborar propostas, produzir conteúdo ou organizar informações.
Depois, o profissional deve experimentar diferentes maneiras de fornecer contexto ao ChatGPT, comparar os resultados com aquilo que fazia anteriormente e medir o tempo economizado ou a melhoria obtida.
Só então o processo deve ser transformado em uma rotina.
"Tem que usar, errar para aprender, testar, conhecer os limites da IA."
A partir daí, é possível criar modelos de comandos, organizar informações, estabelecer uma rotina de revisão humana e documentar o que funciona.
O crescimento da inteligência artificial também abriu espaço para uma enorme quantidade de promessas na internet.
Cursos que prometem enriquecimento rápido, automações milagrosas e fórmulas para ganhar dinheiro usando IA podem criar uma expectativa distante da realidade.
Carlos chama atenção justamente para esse fenômeno.
"Toda grande transformação tecnológica produz oportunidades reais, mas também cria uma indústria de promessas exageradas. A famosa hype!"
Segundo ele, até mesmo grandes empresas enfrentam dificuldades para transformar projetos de inteligência artificial em soluções efetivamente utilizadas.
Por isso, para quem está começando, o caminho mais seguro é encontrar um problema concreto antes de investir dinheiro em ferramentas ou cursos.
Outro cuidado fundamental é a revisão humana.
A inteligência artificial pode produzir informações incorretas, inventar dados ou interpretar equivocadamente determinado contexto. Por isso, a responsabilidade pelo resultado final continua sendo do profissional.
Para Carlos von Sohsten, a habilidade mais importante dos próximos anos não será simplesmente "saber mexer no ChatGPT".
Será necessário combinar diferentes competências.
Entre elas estão o letramento em inteligência artificial, conhecimento de negócios, comunicação, criatividade, pensamento crítico, análise de dados e capacidade de aprendizado contínuo.
Ao mesmo tempo, habilidades essencialmente humanas tendem a ganhar ainda mais importância: julgamento, relacionamento, empatia, ética e tomada de decisão.
"A tendência não é simplesmente uma competição entre seres humanos e máquinas, mas a formação de uma nova capacidade de trabalho baseada na colaboração entre ambos."
Para quem vive no Rio Grande do Norte e pretende começar agora, a recomendação do Sebrae é simples: começar pelo problema, não pela ferramenta.
O empreendedor deve olhar para aquilo que já sabe fazer, identificar uma necessidade existente ao seu redor e testar como a inteligência artificial pode ajudar a entregar aquele trabalho de forma melhor, mais rápida ou mais barata.
Não é necessário criar uma startup de tecnologia.
Uma oportunidade pode estar em um negócio tradicional que passa a utilizar IA para melhorar sua operação.
"Não é necessário começar criando uma startup de inteligência artificial. Muitas vezes, a oportunidade está em utilizar IA para melhorar um negócio tradicional."
O especialista também destaca que o estado possui universidades, parques tecnológicos, instituições de apoio ao empreendedorismo e um ecossistema de inovação que pode favorecer a adoção dessas tecnologias.
Para Carlos, a principal oportunidade proporcionada pela inteligência artificial não está simplesmente em fazer com que as pessoas trabalhem menos, mas em ampliar a capacidade de criação e empreendedorismo.
"A grande oportunidade da inteligência artificial não é fazer menos pessoas trabalharem. É permitir que mais pessoas tenham capacidade de criar, empreender e cooperar. Para o empreendedor potiguar, esse pode ser um excelente momento para começar."