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Publicado em 11/01/2026, às 06h00 Anderson Barbosa Anderson Barbosa
Por anos a fio o sal marinho produzido no Rio Grande do Norte impulsionou e/ou esteve no topo da economia potiguar. Hoje, contudo, a realidade é outra.
Embora o estado comemore um superávit recorde de US$ 649,6 milhões em 2025 – com US$ 1 bilhão no total de exportações frente a US$ 436,7 milhões de importações – pelo segundo ano seguido o sal marinho ficou de fora da lista dos produtos que o RN mais comercializou com outras nações.
Importante lembrar que 98% de todo o sal marinho consumido hoje no Brasil é produzido no Rio Grande do Norte.
O BNews Natal procurou as explicações. Segundo Airton Torres, presidente do Sindicato das Indústrias de Extração de Sal do Rio Grande do Norte (SIESAL-RN), a taxação de 50% imposta pelos Estados Unidos sobre os produtos brasileiros é a razão para a queda nas exportações do sal marinho produzido em território potiguar.
"Em média, o Rio Grande do Norte exportava cerca de 550 mil toneladas de sal marinho por ano para os EUA. Isso nos últimos 5 anos anteriores ao tarifaço (de 2020 a 2024). Ano passado tivemos uma queda acentuada. Só não ficou próxima a zero por causa de contratos de fornecimento de longo prazo que precisaram ser cumpridos", destacou o sindicalista.
Ainda de acordo com Airton, apesar do tarifaço, até o momento a indústria salineira potiguar tem conseguido manter a produção, que em média varia de 5 a 6 milhões de toneladas de sal marinho por ano. Ainda assim, existe a preocupação a longo prazo, caso a situação não se reverta.
"Existe expectativa e otimismo para que os EUA revejam o tarifaço de 40% (iniciada em agosto de 2025) e a tarifação retorne ao patamar de 10% (iniciada em abril de 2025). Mas, não temos como fazer previsão. Apostamos na retomada das exportações. Fala-se na abertura de novos mercados, mas isso, devido a logística e o baixo valor agregado do sal é difícil que ocorra. Hoje, posso dizer que a nossa situação é preocupante. A nossa luta é pela retirada do tarifaço de 40%. Não enxergamos outra saída", ressaltou o presidente do SIESAL-RN.
De acordo com o 15° Boletim da Balança Comercial do Estado, elaborado pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SEDEC), o Rio Grande do Norte registrou, de janeiro a dezembro de 2025, um superávit comercial de US$ 649,6 milhões, resultado de uma corrente de comércio no valor de mais de US$ 1,5 bilhão em transações comerciais de exportação e importação.
Desse total, as exportações somaram pouco mais de US$ 1 bilhão e as importações chegaram a US$ 436,7 milhões. Cabe destacar que o saldo de janeiro a dezembro de 2025 apresentou um aumento de 18,7% quando comparado com o saldo do ano de 2024. O desempenho foi considerado histórico, alcançando o maior saldo já registrado em sua balança comercial.
Em relação aos principais produtos exportados foram:
Juntos, esses cinco produtos representaram 78,8% do total exportado pelo Rio Grande do Norte de janeiro a dezembro de 2025.
No campo das importações realizadas de janeiro a dezembro, destacaram-se:
Juntos, estes cinco produtos representaram 43,2% do total importado pelo Rio Grande do Norte de janeiro a dezembro de 2025.
De janeiro a dezembro de 2025, os principais destinos das exportações do Rio Grande do Norte demonstraram o amplo alcance geográfico do comércio exterior do estado. O Panamá liderou a lista com US$ 468,4 milhões. Na sequência, os Países Baixos com US$ 147,2 milhões, seguido pelo Canadá com US$ 100,2 milhões, os Estados Unidos com US$ 91,2 milhões e o Reino Unido com US$ 67,7 milhões, completaram o grupo dos cinco principais mercados de destino.
Principais destinos
Juntos, esses cinco países responderam por 80,5% do total exportado pelo Rio Grande do Norte no período.
De janeiro a dezembro de 2025, os principais fornecedores de produtos para o Rio Grande do Norte reafirmaram sua importância nas relações comerciais do estado. A China liderou o ranking, com o volume de importações de US$ 134,1 milhões. Na sequência, os Estados Unidos registraram transações de US$ 70,3 milhões, enquanto a Argentina ocupou a terceira posição, contribuindo com US$ 54,3 milhões. A Rússia e a Espanha registraram montantes de US$ 29,1 milhões e US$ 19,2 milhões, respectivamente.
Principais fornecedores
Juntos, esses cinco países responderam por 70,2% do total das importações realizadas pelo Rio Grande do Norte no período.
A via marítima é a principal via de transporte para as mercadorias exportadas pelo Rio Grande do Norte, totalizando US$ 941,1 milhões em transações. Na sequência, a via aérea movimentou US$ 132,7 milhões e o modal rodoviário com US$ 5,8 milhões.
Além disso, se tem registro de movimentação ‘’em mãos’’ com US$ 4,8 milhões; e, por fim, aparece a via lacustre, com US$ 1,7 milhão. Em termos percentuais, a via marítima representou 86,6% do total exportado, o que evidencia a sua importância para a logística do comércio exterior potiguar.
No que se refere às importações, o modal marítimo também obteve destaque com US$ 400,3 milhões, seguido pela via aérea com US$ 34,7 milhões. Por conseguinte, o modal rodoviário também consta nos registros da balança com US$ 1,5 milhão e, por fim, se tem registro na balança de comercialização ‘’por meios próprios’’ com US$ 22,1 mil.
Em termos percentuais a via marítima foi responsável por 91,6%, isso reflete a relevância desse meio de transporte para as transações comerciais do estado.
As informações completas sobre as exportações e importações feitas pelo Rio Grande do Norte em 2025 estão disponíveis no Boletim Anual da Balança Comercial do RN, divulgado pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico, da Ciência da Tecnologia e da Inovação (SEDEC).
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