Negócios
Publicado em 09/11/2025, às 12h01 Reprodução/REUTERS Dani Oliveira
O estado do Piauí está se transformando em um epicentro de interesse para a mineração mundial. Elementos essenciais para a produção de ímãs, baterias e equipamentos de alta tecnologia estão no foco de investidores estrangeiros, o que acendeu um alerta no governo local sobre a necessidade de conhecimento e regulamentação.
A movimentação mais recente e significativa vem da Canadá. A mineradora Origen Resources, listada nas bolsas de Ontário e Frankfurt, anunciou ter assinado uma carta de intenções para adquirir um projeto de terras raras no interior do Piauí.
O acordo preliminar abrange uma área total de 3.978 hectares, divididos em dois blocos de concessão. Além disso, a empresa canadense garantiu direito de preferência sobre outras cinco áreas, sinalizando a ambição de criar um distrito minerário desses materiais críticos no Nordeste brasileiro.
A análise inicial do projeto confirmou seu potencial. Amostras de superfície revelaram teores de até 1,61% de óxidos totais de terras raras, uma concentração considerada elevada para esse tipo de material.
Depósito de argila
O interesse canadense vai além dos depósitos comuns. O estudo preliminar sugere a possível presença de um depósito de argila de adsorção iônica (IACD).
Conhecido por ser o modelo geológico predominante na China (líder mundial no setor), o IACD é raro e altamente estratégico, pois oferece alta concentração de terras raras pesadas. O destaque é o fato de ser mais fácil para realizar a extração dos minerais, de maneira menos agressiva e com menor impacto ambiental em comparação com a mineração tradicional de rochas maciças.
Próximos passos
A Origen Resources tem agora 150 dias para realizar uma análise técnica e jurídica. Se os resultados forem positivos, a empresa investirá, no mínimo, US$ 1 milhão em exploração nos próximos dois anos e assumirá 90% de participação no projeto.
Governo do Piauí corre contra o tempo
Diante do rápido avanço do interesse internacional e do baixo nível de conhecimento geológico do território, o Governo do Piauí está empenhado em ampliar o mapeamento mineral e quantificar o potencial de ocorrência de terras raras no subsolo piauiense, assegurando que o estado tenha apoio técnico para gerir esse futuro boom mineral.
O governador Rafael Fonteles se reuniu recentemente com a diretora-presidente do Serviço Geológico do Brasil (SGB), Sabrina Góis, em Brasília, para articular uma parceria.