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Publicado em 01/08/2026, às 13h04 Foto: Magnific Ranyere Fonseca
Prestes a completar dois anos de implementação no Rio Grande do Norte, o projeto de cooperação internacional entre o Brasil e a China focado na mecanização da agricultura familiar vem gerando resultados expressivos na região Oeste potiguar. A iniciativa, instalada no município de Apodi, garantiu uma redução drástica nos custos de produção, que varia entre 45% e 90%, além de proporcionar uma economia na necessidade de mão de obra entre 50% e 95% e impulsionar a produtividade média no campo em cerca de 14%.
Os dados foram consolidados e apresentados pelo professor Vinícius Claudino, coordenador da Residência Tecnológica em Mecanização da Agricultura Familiar/Brasil-China, o primeiro programa acadêmico e prático com esse formato na América Latina. O projeto é fruto de uma ampla rede de cooperação que une a Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (Uern), a Universidade Agrícola da China (CAU), a Secretaria de Estado do Desenvolvimento Rural e da Agricultura Familiar (Sedraf) e o Instituto de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), com a colaboração técnica do IFRN e da Ufersa.
As ações práticas começaram a se intensificar em novembro de 2024, quando Apodi recebeu um lote de 29 máquinas agrícolas desenvolvidas na China especificamente para atender a escala do pequeno produtor. Os equipamentos foram destinados para testes diretos com cerca de 150 famílias da região, área estratégica do Estado que concentra parcela significativa dos 50 mil empreendimentos de agricultura familiar do Rio Grande do Norte.
Além do retorno financeiro imediato com a economia de combustível e otimização do tempo operacional, o levantamento apontou transformações sociais na rotina das comunidades atendidas. Houve redução expressiva nos custos com etapas penosas do cultivo, como a capina, além do aumento na produção de forragem para o gado. O acesso às máquinas também facilitou a diversificação dos cultivos e abriu espaço para uma maior participação inclusiva de mulheres nas tarefas agrícolas.
"A tecnologia chinesa de mecanização, especialmente o modelo de serviços socializados de máquinas que levam ao desenvolvimento conjunto de pequenos agricultores, fornece referências valiosas para o Brasil. Trata-se de um impacto social e econômico direto, permitindo que a agricultura familiar produza mais alimentos e eleve a renda com menos desgaste físico", avalia o professor Vinícius Claudino.
O sucesso dos testes no interior potiguar fez com que o modelo começasse a ser exportado para outros estados vizinhos. Atualmente, parte do maquinário enviado pelos chineses já está em avaliação em propriedades do Ceará, Maranhão e Paraíba.
A coordenação da Residência Tecnológica revela que as tratativas para as próximas fases do projeto já estão em andamento. A expectativa é trazer novos lotes de equipamentos com tecnologia ainda mais avançada para os produtores do RN, incluindo sistemas de automação do solo, robôs agrícolas e drones para pulverização e monitoramento das lavouras no semiárido.